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TIDIR – Escolha do grupo urbano



“(…) A toca nasceu da rua. Hoje é uma rua murada.
É uma Fraternidade de Amor , Adoração e Acolhimento (…)”
Padre Roberto Lettieri, fundador da Fraternidade Aliança Toca de Assis.
Por João Paulo Costa Jr.

A proposta do Trabalho Interdisciplinar – TIDIR, do Curso de Jornalismo Multimídia do Centro Universitário UNA – Campus Liberdade, 2º período, turno noturno, neste semestre, é empreender um trabalho de campo e pesquisa sobre os denominados “Grupos Urbanos”. O intuito do estudo proposto é investigar cuidadosamente o estilo e modo de vida, hábitos e organização destes grupos que ocorrem nos grandes centros urbanos de nosso país. O material colhido como entrevistas, conteúdo e apuração serão disponibilizados neste blog.
Ao formarmos nosso grupo de trabalho em sala de aula, num debate franco e aberto, principiamos nosso norte de posicionamento em face da temática proposta. Como pequenos operadores da comunicação e jovens sedentos por experiências, nos lançamos ao desafio de apresentar algo inovador e no mínimo inusitado. Desejávamos, num olhar abrangente e sensível, trazer à tona uma realidade de um grupo não muito conhecido e fugir do óbvio e do amplamente já falado e divulgado.
Divagamos acerca de determinados grupos e várias proposituras surgiram. No entanto, a cada grupo urbano sugerido, nos deparávamos com a ideia e o receio de termos escolhido grupos superficiais, em que a abordagem se esgotaria logo no início das entrevistas.
A grande questão, portanto, seria acreditar na ideia e realizar a escolha correta do grupo urbano. Teríamos que optar por algum grupo “potencialmente informativo”, que oferecesse subsídios suficientes de pesquisas e entrevistas e que nos possibilitasse realizar trabalhos mais aprofundados sobre suas interações comportamentais, ideológicas, influências, “modus vivendi”, inserções sociais, características e visões de mundo.
Assim, motivados pelos desdobramentos, optamos e ousamos escolher dois grupos diversos em suas maneiras de viver, com ideologias opostas e comportamentos difusos. O trabalho seria conduzido sob a égide das buscas ideológicas de cada grupo e verificaríamos se existe ou não um denominador comum de identidades.
No entanto, para concretizarmos um trabalho coeso, decidimos focar e direcionar nosso estudo num só grupo, tendo assim condições plenas de realizar uma abordagem aprofundada.
Então, veio a luz! “Eureka”! De comum senso, optamos por conhecer, analisar e entrevistar o grupo urbano comumente conhecido como “Neo-franciscanos” ou “Toqueiros” – membros da “Toca de Assis”. São figuras de pés descalços e corte de cabelos peculiar, vestidos com uma túnica marrom, os quais vemos diariamente cruzarem às ruas do centro de nossa cidade, lembrando um religioso que viveu na Idade Média. Os “Toqueiros”, como gostam de ser chamados, são indivíduos que fazem uma opção de vida diferente da maioria. Deixam família, amigos e amores, afim de seguir em nome de Deus os votos de São Francisco de Assis.
Numa sociedade extremamente consumista, imediatista e competitiva, o que nos chama a atenção é que, aparentemente, entre este grupo urbano existe um ideal de desapego aos valores materiais, que hoje em dia seduzem tantos jovens.
Em torno dos ensinamentos e da figura de São Francisco de Assis, este atípico grupo conduz suas vidas ajudando pessoas marginalizadas e pregando o amor ao próximo, em tempos que raramente detectamos casos semelhantes.
Diante do que foi levantado, por que não buscar entender estas questões e explorá-las?O que faz um garoto ou uma garota abandonarem “tudo” para morarem em uma casa de oração e passarem seus dias cuidando de moradores de rua, mendigos, doentes e pessoas abandonadas? O que realmente é a “Toca de Assis”? O que um “Toqueiro” faz no seu dia-a-dia? O que ele lê? O que ele ouve? Quem é o líder? Existe um fundador deste grupo? Por onde caminham seus postulados? Quais os movimentos que este grupo empreende? Quais são os dogmas seguidos? O que significam suas roupas e indumentárias? Quais são suas visões de mundo e influências? Existem votos de pobreza e castidade? O que pensam suas famílias sobre esta escolha de vida (renúncia)? Conseguiríamos vivenciar a experiência de passar um dia como “Toqueiro”? Qual a visão de psicólogos, teólogos e religiosos acerca disso? Qual a busca final de suas identidades? E finalmente, o que nós, estudantes de comunicação, traremos de concreto sobre todos estes questionamentos? O que aprenderemos e quais serão nossas impressões?
O assunto e consequentes desdobramentos aguçaram nossas curiosidades e é sob este prisma que, profundamente motivados, buscaremos desenvolver nossas pesquisas no trabalho de TIDIR deste semestre.

 

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