Pastoral de Rua, à serviço do próximo

De rua em rua, de esquina a esquina eles seguem, saem à  procura daqueles que necessitam de atenção, respeito e doses de carinho

Por Augusto César Fortes


Partindo da Avenida Paraná no Centro de Belo Horizonte, o grupo reunido se divide em duas equipes para alcançar o maior número de moradores de rua possível. Nestas equipes, divididas entre toqueiros e leigos, o serviço é iniciado assistindo os “irmãos de rua”, assim chamados por eles, levando alimentos, geralmente suco e um lanche, e auxiliando não só na higiene pessoal cortando cabelo e aparando barbas e unhas, como também psicologicamente em conversas sobre a vida pessoal de cada um e o fator culminante para a sua chegada até as ruas. Essas pastorais contam com a ajuda dos leigos, “irmãos que abraçam a causa da caridade e auxiliam nas pastorais de rua pelo simples ato fraterno de ajudar e fazer em prol de quem pouco tem condições”, segundo a definição do Irmão João Batista, toqueiro consagrado a cerca de 8 anos.

De acordo com o senso realizado em 2006 e dados obtidos pelo site do Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, Belo Horizonte tinha registrado, nesse mesmo ano, 1.164 moradores de rua. Em relação ao número de habitantes da metrópole, este dado chega a ser ínfimo, uma vez que Belo Horizonte possui cerca de 2.452.617 de habitantes, mas levando em consideração de que se tratam de mulheres, homens, crianças, adolescentes, idosos. São mais de 1.000 pessoas marginalizadas e à mercê da fome, dos maus tratos e do descaso da sociedade. E é dentro desta visão humana que atua a Pastoral de Rua dos irmãos da Toca de Assis.

As pastorais acontecem as terças e sextas-feiras e são distribuídas em dois horários: nas terças são realizadas durante o dia e nas sextas no perído da noite.
Segundo Maria Gorete, uma das leigas chamada entre o grupo de Margô, o papel dos leigos é muito importante, pois nem sempre a Toca possui todo o aparato necessário para a Pastoral. Com o coração aberto, os leigos doam recursos para a preparação dos lanches e para a compra de medicamentos necessários para os primeiros-socorros, assim como também percorrem todo o trajeto junto aos irmãos consagrados ajudando-os.
Durante a noite de sexta-feira dia 02, cerca de 30 moradores de rua foram atendidos pelas duas equipes que seguiram pelo centro da cidade. Entre os irmãos de rua que receberam auxílio, alguns inclusive já familiarizados aos leigos e toqueiros, apresentavam grandes histórias de vida e chegaram às ruas por meio das drogas e do álcool, na maioria dos casos.

O toqueiro João Batista ainda conta que alguns irmãos de rua foram acolhidos pela Toca de Assis em suas casas fraternas e ao longo da estadia, passaram a fazer parte da casa como membros e hoje são irmãos consagrados, assim como ele. Outros, porém, não se habituaram ao fato de terem uma cama, alimento, higiene e cuidados com a saúde e acabaram voltando para as ruas. Mas um dos fatos mais alarmantes durante a reportagem feita é a concordância entre muitos irmãos de rua que preferem as ruas aos albergues, onde afirmam terem recebido maus tratos, segundo depoimento colhido entre eles.

As Pastorais acontecem semanalmente e todos que quiserem acompanhar o trajeto realizado pelos toqueiros e leigos serão bem vindos e aceitos por eles. Para conhecer e entender o trabalho feito pelos Toqueiros, foi realizado o acompanhamento à Pastoral de Rua no dia 2 de outubro de 2009.


foto Irmão João Batista , Irmã Tamires juntamente com os Irmãos de Rua

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