Monthly Archives: Novembro 2009

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Alunos do Instituto de Comunicação e Artes – UNA, recebem premiação pelo tema abordado: “Instituto dos filhos e filhas da pobreza do Santíssimo Sacramento”, Toca de Assis.


Estudantes de Jornalismo do Centro Universitário UNA receberam ontem, 26/11, o prêmio de melhor Trabalho Interdisciplinar Dirigido do ICA (Instituto de Comunicação e Artes) em Belo Horizonte, MG.
Após meses de estudo, os alunos Ana Sandim, Débora Gomes, João Paulo Costa Jr., Iara Fonseca e Raphael Jota(foto), presentes na premiação do Expo UNA, representando o restante do grupo, saíram da Serraria Souza Pinto felizes e emocionados, tanto pelo que aprenderam com a execução do trabalho quanto pela satisfação de levar a informação a todos os presentes no estande 95 na noite do dia 25. A apresentação, ministrada pela escolhida do grupo Ana P. Sandim e o sorteado João Paulo, teve início ao som do violino e a Oração de São Francisco de Assis. Na banca, estava o professor João Guilherme Dias e o orientador do trabalho professor Aurélio. Os Irmãos da Toca de Assis também prestigiaram o trabalho dos estudantes, além do grande número de pessoas, entre professores, alunos e visitantes, que se juntaram para assistir a apresentação.
Se você perdeu a primeira apresentação, hoje (27/11), as 19 horas no Campus Aimorés na rua Aimorés 1451, Lourdes, Belo Horizonte, será realizada uma segunda apresentação do grupo juntamente com os vencedores dos outros Campus, aberta para todos.
Vale a pena conferir!



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Outras Questões

Razão x Fé

Por Débora Gomes


Em uma conversa com os Irmãos da Casa Fraterna Aliança São José, há alguns dias atrás, perguntei o que eles (os toqueiros) tinham a dizer sobre os questionamentos e as divergências de opiniões entre as pessoas, quando falamos da Toca de Assis. Como resposta, ouvi a seguinte frase: “A resposta é simples. Algumas pessoas são movidas pela fé e outras pela razão.”
Aquelas pessoas que usam a fé para compreender a vida dos toqueiros, simplesmente acreditam, amam e sentem o amor de Cristo em cada gesto dos irmãos. Mas também é preciso existir os questionamentos, as dúvidas, as interrogações e isso cabe a razão. E o que seria do mundo sem a razão para abrir os olhos da fé? E o que seria da razão sem um pouco de fé para fazê-la acreditar um pouco no mundo?
No decorrer de todo o trabalho, ouvimos diversas opiniões, lemos outras e formamos as nossas nos baseando nas experiências que vivemos. Claro que levantamos nossos questionamentos e buscamos respostas para todos eles. Encontramos o equilibrio e só depois dessa conversa com os irmão Ictus e Jeremias é que encontrei a resposta para a divergência de opiniões dentro do nosso próprio grupo. A resposta é simples: razão e fé, porque ninguém é igual. Cada um possui uma maneira de enxergar e sentir o mundo e é isso que mantém as coisas vivas e ainda caminhando.

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Apresentando um irmão específico

Irmão Ictus

De um lado a família, do outro o desejo grande de ajudar ao próximo


Por Débora Gomes

Filho de comerciantes, Fábio Pereira vivia em Recife, PE, juntamente com mais 12 irmãos. Quando criança, dava mercadorias do armazém de sua mãe para quem não podia comprar. E hoje,com 24 anos, sendo 7 de vida missionária e 2 de vida consagrada, é irmão Ictus e se divide nas diversas tarefas diárias da Casa Fraterna Aliança São José.
Após conhecer sobre a vida de São Francisco de Assis, por meio de um amigo que entrara para a Toca e faltando pouco mais de um mês para completar 18 anos, Fábio resolveu fugir de casa para se tornar um toqueiro. “Minha família não aceitava minha decisão, minha mãe ficou doente, mas eu tinha que escolher”, afirma o irmão. E escolheu seguir os caminhos de Deus, que tocou seu coração atravéz de um desejo grande de ajudar ao próximo. “Todos os dias eu perguntava a Deus: onde vou ser feliz e como? Aprendi que só poderia ser feliz ajudando ao próximo, meu chamado surgiu em favor do próximo”, afirma, lembrando também que sempre foi muito apegado a mãe e que a saudade aumenta ainda mais nos finais de ano, época em que costuma vê-la.
Além da renúncia a família, os toqueiros passam também pela renúncia ao seu lugar de origem. Devido a vida missionária, podem ficar anos em uma única casa fraterna, como podem também permanecer apenas dias em determinada cidade. No caso de Irmão Ictus, não foi diferente. Acostumado com o sossego do Nordeste, passou por grandes dificuldades para se adaptar em cidades grandes como Belo Horizonte, São Paulo e Rio de Janeiro. O irmão afirma ainda que cada dia é uma renovação, um aprendizado novo e por isso, todos os dias pergunta a Deus como está e como deve ser, para que Ele lhe dê uma direção a cada novo dia.
Apesar de se dar bem com a mãe, irmão Ictus nunca se deu muito com o pai. Após a vida missionária, passou a amá-lo mais e em abril deste ano, passou os 40 dias da Quaresma cuidando dele, que estava doente. Emocionado, o irmão conta que ao chegar em casa, o pai sorrindo, compreendeu que ele tinha chegado, mas não para ficar. “Ele confiava no lugar em que eu estava, sabia que era um lugar bom.”, conta. Sem saber o que fazer, tendo em vista que o pai poderia viver anos, semanas ou dias, resolveu voltar para a Toca assim que seu pai recebeu alta. 12 dias depois, o pai faleceu, vítima de câncer. Apesar da tristeza pela morte do pai, Irmão Ictus diz que ficou feliz, pois se reconsiliaram.
Hoje, quando visita a família, vive momentos de descontração e alegria: “Quando chego lá fica a confusão. Minhas tias sempre perguntam: como a gente vai te chamar? Ictus ou Fábio? Aí eu digo que pode chamar do jeito que quiser mesmo”. O irmão conta ainda que tenta, o máximo que pode, se distanciar da vida como toqueiro quando está em casa: “Eu gosto de andar descalço e dormir no chão. Quando vou para casa, uso chinelo e durmo na cama que minha mãe prepara, para não assustá-la. As pessoas pensam que aqui a gente leva uma vida ruim, mas não é assim. Estamos aqui porque queremos estar, para servir a Deus e ao próximo”, completa o irmão, sempre com seu sotaque nordestino e um sorriso doce no rosto.


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Renovação de votos

Ocorreu no dia 14 de novembro a renovação de votos dos membros da Toca de Assis de Belo Horizonte.Foram quinze irmãos, que mais uma vez renovaram seu compromisso perante a população e a Igreja católica. Estavam presentes Irmão Gabriel, atual ministro geral da congregação e o Dom Walmor Oliveira de Azevedo, arcebispo metropolitano de Belo Horizonte.Uma vez no ano acontece renovação dos votos de pobreza, castidade e obediência até chegar ao sétimo ano, quando o toqueiro efetua sua escolha final: o chamado ‘perpétuo’ ou seja, vitalício.

Natal do Senhor

Todos os anos, a Toca de Assis promove o Natal do Senhor. Com a ajuda de leigos e voluntários, os toqueiros dão aos moradores de rua uma verdadeira celebração natalina, com direito a corte de cabelo, banho e roupas limpas. “É uma pastoral de rua em dimensões maiores, mais concentrada”, explica um dos irmãos. À noite, é servida a ceia acompanhada de orações, agradecimentos e satisfação no rosto dos imãos de rua.

O Natal do Senhor acontece com a ajuda de doações, que podem ser feitas diretamente na casa ou através de depósito bancário.

Quer ajudar?

Casa Fraternidade de Aliança São José
Banco: Caixa economica Federal
AG:1640001
Conta Corrente: 30120.6
Em nome: Conceição Bensica Mourão

Conheça a Toca de Assis,  rua dos Flamingos, 96, Enseada das Garças. Belo Horizonte -MG Telefone (31)3441-9607

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Neo Entrevista

Mãe é sempre Mãe

‘‘Hoje ela transmite o amor de Deus. Está bem, feliz e a alegria dela é minha também’’ diz sorrindo Maria Luzia

Por Iara Fonseca

Silvânia Fortunato Mara, uma moça normal como outra qualquer. Vivendo uma adolescência em extremo processo de transformação diária, não suportava esperar: vivia apenas o presente esquecendo de tudo. Buscava apenas aproveitar e curtir a vida. Maria Luzia Fortunato Mara, 57 anos, aposentada. Mãe de quatro meninas, incluindo Silvânia Fortunato (a Irmã Jacinta),  em entrevista ao grupo Neotidir.

“Minha filha dava muito trabalho e eu ficava muito triste com as atitudes dela. Já estava viúva, com quatro moças dentro de casa. Silvania estudava a noite e começou a tomar gosto pelo tipo de vida que o mundo nos oferece. Então ela disse: “Quero ter um filho mas para a senhora cuidar e não quero casar”. Então me peguei chorando quando iniciei uma conversa com Deus: “Ô meu Deus, o que será da minha filha? Se fôr pra ela levar uma vida assim, prefiro vê-la em um convento’’.

Neotidir: Quando sua filha iniciou a vida consagrada na Toca de Assis?
Entre os dezoito e dezenove anos minha filha foi conhecer a Canção Nova com sua irmã caçula. Chegou em casa maravilhada com tudo que tinha ocorrido entorno dela. Me disse que sentiu um forte chamado de Deus: “Vem me seguir”, disse que era sério e que naquele momento estaria deixando tudo para seguir Jesus, tendo minha aprovação ou não, pois se encontrava nas mãos de Nosso Senhor.

Neotidir: Como foi a reação da mãe Maria, no momento da anunciação da vocação?
Eu fiquei assustada e como mãe, é claro que é assim… A principio não fiquei muito feliz, tive medo. Mas esse amor a Deus me chamava atenção. Mesmo assustada, sem saber o que era esse chamado e depois de ficar perdida imaginando, não impus nada e aceitei mesmo com todas as dificuldades.

Neotidir: Como foi a aceitação do votos?
A aceitação foi bastante difícil, porém o amor de Deus me impulsionou me levando também junto a ela. Assim veio a aceitação: com muito sofrimento, porque eu como mãe não deixei de sofrer ao ver minha filha abandonar tudo para seguir Jesus.

Neotidir: Como foi a aceitação da família perante a escolha da Irmã Jacinta?
Não foi simples. Suas irmãs choraram muito, todos nós choramos. Eu estava viúva e um tanto frágil, mas aos poucos fomos compreendendo.

Neotidir: Hoje como está a relação familiar?
Nós respeitamos muito a entrega na missão, não a encomodamos deixando-a sempre  livre para servir a Deus.Ela me liga de mês em mês, nosso encontro é de ano em ano e quando nos vemos é muito gostoso. Dessa forma, mato a saudade.

Neotdir: Por quais estados e cidades ela já esteve em missão?
Rio de Janeiro, Santos no estado de São Paulo e Londrina, no Paraná.

Neotidir: Você era de alguma religião?
Eu já era católica, mas minha fé se encontrava adormecida. Sentia que faltava algo dentro de mim, porém não sabia o que era. É como se eu já tivesse um desejo muito grande de encontrar Deus e minha filha me apontasse o caminho para onde ir. Através dela conheci a Toca e ali percebi a beleza de Deus, de Jesus. Comecei a ajudar como leiga na Pastoral de Rua e cozinhando em festas para os moradores de rua.Assim como a mãe Maria Luiza, Aparecida Campos nos conta como foi aceitar o chamado de Deus a seu filho Irmão Jeremias:

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Neo Entrevista

A Fraternidade Toca de Assis conta com inúmeros leigos que  auxiliam no acolhimento e serviço aos pobres e moradores de rua. Nelma Maria Cristina Ferreira é uma das leigas que ajuda nas pastorais de rua. Em entrevista, nos conta um pouco sobre suas experiências.

Neo Entrevista: Há quanto tempo e como teve início o seu trabalho na pastoral de rua da Toca de Assis?
Nelma: Há mais ou menos 4 anos. Eu comecei na pastoral de rua a convite de uns irmão que me chamaram para ajudar no Natal do Senhor.

Neo Entrevista: Existe uma preparação para as pessoas que se interessam ou desejam iniciar este trabalho?
Nelma: Não existe uma preparação para participar. Mas é necessário conhecer o trabalho e tem uma norma, onde ninguém deve se aproximar do irmão de rua sozinho, deve se ter esse cuidado e também o discernimento.

Neo Entrevista: Quais os problemas que mais frequentemente vocês encontram neste tipo de acolhimento?
Nelma: Normalmente nós somos muito bem recebidos, eles não nos trazem muitos problemas, há aqueles irmãos que não querem conversar e nós respeitamos isso.

Neo Entrevista:
Esta gratuidade e despojamento que vocês vivenciam diariamente nas ruas, já foi criticada e não é aceita por muitos. Porque você acha que algumas pessoas não aceitam?
Nelma: Penso que é porque a maioria realmente não conhece de fato este trabalho, existem pessoas que não compreendem e aquelas que tem medo dos irmãos que estão nas ruas.

Neo Entrevista:
Indo ao encontro dos pobres, dos excluídos, dos moradores de rua, o que mais lhe estimula e motiva a continuar?
Nelma: É um trabalho muito bonito, mas também é árduo, levar o alimento espiritual que muitas vezes é o que eles mais precisam, essa doação expontânea, e falar de Jesus Cristo para mim é muito importante. Ainda,é preciso estarmos constantemente vivendo essa comunhão com Deus, sem a qual esse trabalho não teria sentido.

Entrevista concedida a Silvana Ferreira Lemes

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Outras Questões

Voltando ao meu mundo

Por Bruno Moreira Pereira

Ao longo das pesquisas e entrevistas, tivemos muitas experiências acompanhando os toqueiros em seus trabalhos. Vivenciamos muitas coisas e tentamos simplesmente pensar como eles e entender o porquê de abdicar de tantas coisas para se sentir mais perto de Jesus, numa busca de sentir melhor físico e espiritualmente falando. No trabalho que realizamos, por nossa doação, comprometimento e curiosidades, acho que muitas vezes nos esquecemos que não somos toqueiros. Nosso modo de ver as coisas é diferente, podemos comprar coisas para nos sentirmos melhores sim e podemos como devemos ter relações com o sexo oposto, pois é importante para a nossa formação como pessoas. Depois de vivenciarmos o universo dos toqueiros é hora de voltarmos para o nosso mundo e pensar que se você fizer todos os votos que eles fazem para viver uma vida consagrada, provavelmente a sua vida será chata e cheia de depressões que você não poderia controlar. A nossa iniciativa de querer entender o que são os toqueiros não pode ser confundida como uma campanha para que as pessoas façam todos os votos e virem toqueiros. Não temos esta pretensão e não é nosso objetivo e temos que observar que existem prós e contras para se viver uma vida religiosa. Tive a oportunidade de ir ao encontro dos toqueiros nas realizações da pastoral de rua por duas vezes. (trabalho em que toqueiros e leigos saem pelas ruas ajudando os moradores de rua ). Admirei o trabalho, mas realmente nunca iria numa sexta-feira ajudar moradores de rua ao invés de encontrar com meus amigos ou ir a um show. É louvável, mas sair pela rua ajudando, não que isso não seja certo, mas não é meu ideal de vida, pois não pretendo ser um toqueiro.
Para concluir, queria dizer que o trabalho deles é bonito e ajuda muitas pessoas, só que não aconselho ninguém que não tenha um perfil religioso a seguir este caminho. Será que vale a pena radicalizar e acabar com tudo aquilo de bom desta vida para cultuar um Deus e se sentir mais perto dele?

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