Compreender para ser compreendido, conhecendo os acolhidos

Não importam com cor, raça ou religião os acolhidos chegam nas casas fraternas e recebem um amor de pai para filhos

Por Ana Paula S. Paiva e Débora Gomes

Separados pela distância, pelos caminhos diferentes mundo a fora, tendo a certeza de que podem nunca mais ver seus familiares, desenganados da vida: assim vivem os irmão de rua. Alguns são retirados das ruas, outros chegam até a Toca levados por vizinhos ou pelos agentes de rua.  Começa aqui a história dos “acolhidos”. Além de Toqueiros, as Casas Fraternas tornam-se abrigo para os “irmãos de rua”. Cada casa abriga por volta de 10 a 25 pessoas, entre homens e mulheres. Muitos possuem casa, família, mas em alguns casos não sabem como reencontrá-los.
Os acolhidos permanecem nas casas fraternas, sob os cuidados e olhares atentos dos Toqueiros. Alguns chegam a ficar muito tempo, outros ficam poucos meses. Nas casas, os acolhidos são tratados como verdadeiros irmãos, conforme Irmão Ágape “Eles permanecem aqui. Os que estão em estado melhor, encaminhamos para empregos e damos apoio e suporte para que continuem. Os mais debilitados, com muita idade encaminhamos para asilos”. conta o Irmão.
Recebem alimentos, banho, roupas limpas e cama para dormir, além de desenvolver outras atividades, como é o caso de Airton Pereira Botelho,42, morador da Casa Fraterna Aliança de São José, no bairro Enseada das Garças (BH), que, com cordas de cisal, fabrica suportes para samambaia “é resistente! se der algum problema, pode trazer aqui que eu dou todos os outros que eu tiver”, afirma, mostrando a placa com o valor de R$10,00 (dez reais), cada suporte.
As histórias batem umas com as outras, sendo que 90% dos irmão acolhidos na casa da Pampulha, são vitimas do alcoolismo. Por conta do vício, perdem emprego, família e bens. Muitos são abandonados pelos próprios familiares.Desde filhos de fazendeiros vindos de Portugal, existe ali filhos que foram vendidos por 20 cruzeiros, como conta Raul Pereira de Souza, 67.
“Fui ambulante, vendi jabuticaba e mamão na feira” afirma. Souza que também ajudou na plantação de fumo, deixa claro que não aprendeu a fumar.
Hoje a Casa Fraterna Aliança de São José abriga cerca de 15 acolhidos, entre 40 e 75 anos.


foto: após uma oração os acolhidos recebem suas refeições

Conheça também os acolhidos da Casa Fraterna Nossa Senhora das Dores, Campinas (SP). A casa possui o diferencial de acolher Irmãos em estado terminal. Confira o vídeo:

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Filed under Entrevista, Matérias

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