Outras Questões

Ambiguidades sobre os votos de pobreza e trabalho social da Toca.

Por João Paulo Costa Jr.

Ao adentrarmos o universo dos toqueiros com muitas entrevistas, diversas pesquisas e reiteradas conversas alguns pontos ficaram no ar. E como pequeno operador da comunicação e estudante de jornalismo que necessita mirar o objeto de estudo com imparcialidade não poderia deixar de levantar algumas questões curiosas e complexas que chamaram minha atenção e a de outros colegas de faculdade ao adentrarmos o universo dos filhos e filhas da “Toca de Assis”.

Tais questões foram motivos de debates entre alguns de nós estudantes e por este fato, trazemos ao grande público por entender serem merecedoras de reflexão.

Portanto, democraticamente, na qualidade de quem levanta questões, abrimos este espaço em que seremos mediadores dos desdobramentos destas mesmas questões e dos “porquês” que surgirão com o que passamos a expor.

Produtos e vendagens X Votos de Pobreza

– Uma das questões é a vendagem de CD’s, DVD’s e produtos como camisetas, bonés e adesivos com a marca “TOCA”. Isso não deixa de ser curioso e pode ser entendido como mercadológico para alguns, ao passo que a “Toca” é um instituto que é defensor do voto de pobreza e se diz avessa ao consumismo moderno.

– Outra questão importante que merece atenção: será que a música dos toqueiros e o constante lançamento de CD’s e glamour de show’s, não abandona em alguns momentos o propósito de difundir o Evangelho para somente tornar-se mais uma forma rentável de sucesso como qualquer outra no mercado fonográfico?

– È público e notório que o mercado de música cristã e gospel com músicas de louvor e adoração são uma fonte muito rentável com números crescentes e redondos no Brasil e em todo o mundo. Pensando neste sentido, será que o Ministério da Música da Toca de Assis capitaliza a fé de seus simpatizantes? Como explicar os votos de pobreza em face da vasta discografia, vendas e popularização da música dos toqueiros?

– Cabe ainda perguntar: será que este mercado estabelecido pela “TOCA” também não aguça o íntimo de cada toqueiro e filhas da pobreza a quererem também consumí-lo? Será que eles e elas não se percebem sentido necessidades (consumismo) de adquirir um CD, uma camiseta ou um adesivo daquilo que cultuam?

– Quem vende estes produtos do outro lado do balcão vê irmãos de fraternidade ou clientes? Ou entende que o consumismo funciona tranquilamente diante do voto de pobreza? Há conflitos neste sentido?

– Então, jogando um pouquinho mais de pimenta, pergunto: será somente uma tendência moderna de comunicação e disseminação dos valores em que eles acreditam?As músicas dos toqueiros são “fabricadas” e produzidas como forma de agradar e estabelecer mais adoração e mais apego aos votos realizados pelos simpatizantes? Qual é a proposta de fato? Existe um pensamento de adoração ou na verdade é uma maneira mercantilista de atingir maiores seguidores? Será que os cantores de fato não ganham um “cachezinho” por seus show’s e músicas gravadas? Levanto estes questionamentos.

Trabalhos sociais X Efeito paliativo

– É inegável o valor dos filhos e filhas da Toca de Assis como agentes de transformação social na medida em que auxiliam centenas de miseráveis, moradores de rua, doentes e pessoas abandonadas. Considerando que a “Toca de Assis” é um instituto religioso e por tratar-se de um grupo de cunho assistencialista que já tem um trabalho notável em franco desenvolvimento nas ruas dos principais centros urbanos de nosso país, não seria interessante expandi-lo e deixar de ser apenas um paliativo à vida dos miseráveis?

– Mais pimenta: por que somente dar o peixe ao morador de rua quando se pode dar a vara para pescar ?

– Será que este trabalho de pastoral e acolhimento não vicia de alguma forma os assistidos a permanecerem em suas zonas de conforto?

– Por que não trabalhar e divulgar ainda mais este grandioso trabalho? Por que não convidar a iniciativa privada e pública para serem parceiros nos trabalhos? – Seria interessante trabalharem junto a programas governamentais de fomento à assistência social?

– Temos conhecimento de que em algumas cidades como Campinas, existe uma parceria da Prefeitura com as Casas Fraternas locais para tratar de doentes e pessoas abandonadas. Por que não seguir este exemplo na assistência aos irmãos de rua? Existe possibilidade de maior aproximação do poder público com o trabalho dos toqueiros? E o inverso pode acontecer?

Deixo levantadas estas questões, esperando de sorte, como estudante de jornalismo, fomentar discussões produtivas e construtivas.

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Filed under Opinião

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