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Apresentando um irmão específico

Irmão Ictus

De um lado a família, do outro o desejo grande de ajudar ao próximo


Por Débora Gomes

Filho de comerciantes, Fábio Pereira vivia em Recife, PE, juntamente com mais 12 irmãos. Quando criança, dava mercadorias do armazém de sua mãe para quem não podia comprar. E hoje,com 24 anos, sendo 7 de vida missionária e 2 de vida consagrada, é irmão Ictus e se divide nas diversas tarefas diárias da Casa Fraterna Aliança São José.
Após conhecer sobre a vida de São Francisco de Assis, por meio de um amigo que entrara para a Toca e faltando pouco mais de um mês para completar 18 anos, Fábio resolveu fugir de casa para se tornar um toqueiro. “Minha família não aceitava minha decisão, minha mãe ficou doente, mas eu tinha que escolher”, afirma o irmão. E escolheu seguir os caminhos de Deus, que tocou seu coração atravéz de um desejo grande de ajudar ao próximo. “Todos os dias eu perguntava a Deus: onde vou ser feliz e como? Aprendi que só poderia ser feliz ajudando ao próximo, meu chamado surgiu em favor do próximo”, afirma, lembrando também que sempre foi muito apegado a mãe e que a saudade aumenta ainda mais nos finais de ano, época em que costuma vê-la.
Além da renúncia a família, os toqueiros passam também pela renúncia ao seu lugar de origem. Devido a vida missionária, podem ficar anos em uma única casa fraterna, como podem também permanecer apenas dias em determinada cidade. No caso de Irmão Ictus, não foi diferente. Acostumado com o sossego do Nordeste, passou por grandes dificuldades para se adaptar em cidades grandes como Belo Horizonte, São Paulo e Rio de Janeiro. O irmão afirma ainda que cada dia é uma renovação, um aprendizado novo e por isso, todos os dias pergunta a Deus como está e como deve ser, para que Ele lhe dê uma direção a cada novo dia.
Apesar de se dar bem com a mãe, irmão Ictus nunca se deu muito com o pai. Após a vida missionária, passou a amá-lo mais e em abril deste ano, passou os 40 dias da Quaresma cuidando dele, que estava doente. Emocionado, o irmão conta que ao chegar em casa, o pai sorrindo, compreendeu que ele tinha chegado, mas não para ficar. “Ele confiava no lugar em que eu estava, sabia que era um lugar bom.”, conta. Sem saber o que fazer, tendo em vista que o pai poderia viver anos, semanas ou dias, resolveu voltar para a Toca assim que seu pai recebeu alta. 12 dias depois, o pai faleceu, vítima de câncer. Apesar da tristeza pela morte do pai, Irmão Ictus diz que ficou feliz, pois se reconsiliaram.
Hoje, quando visita a família, vive momentos de descontração e alegria: “Quando chego lá fica a confusão. Minhas tias sempre perguntam: como a gente vai te chamar? Ictus ou Fábio? Aí eu digo que pode chamar do jeito que quiser mesmo”. O irmão conta ainda que tenta, o máximo que pode, se distanciar da vida como toqueiro quando está em casa: “Eu gosto de andar descalço e dormir no chão. Quando vou para casa, uso chinelo e durmo na cama que minha mãe prepara, para não assustá-la. As pessoas pensam que aqui a gente leva uma vida ruim, mas não é assim. Estamos aqui porque queremos estar, para servir a Deus e ao próximo”, completa o irmão, sempre com seu sotaque nordestino e um sorriso doce no rosto.


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Neo Entrevista

Mãe é sempre Mãe

‘‘Hoje ela transmite o amor de Deus. Está bem, feliz e a alegria dela é minha também’’ diz sorrindo Maria Luzia

Por Iara Fonseca

Silvânia Fortunato Mara, uma moça normal como outra qualquer. Vivendo uma adolescência em extremo processo de transformação diária, não suportava esperar: vivia apenas o presente esquecendo de tudo. Buscava apenas aproveitar e curtir a vida. Maria Luzia Fortunato Mara, 57 anos, aposentada. Mãe de quatro meninas, incluindo Silvânia Fortunato (a Irmã Jacinta),  em entrevista ao grupo Neotidir.

“Minha filha dava muito trabalho e eu ficava muito triste com as atitudes dela. Já estava viúva, com quatro moças dentro de casa. Silvania estudava a noite e começou a tomar gosto pelo tipo de vida que o mundo nos oferece. Então ela disse: “Quero ter um filho mas para a senhora cuidar e não quero casar”. Então me peguei chorando quando iniciei uma conversa com Deus: “Ô meu Deus, o que será da minha filha? Se fôr pra ela levar uma vida assim, prefiro vê-la em um convento’’.

Neotidir: Quando sua filha iniciou a vida consagrada na Toca de Assis?
Entre os dezoito e dezenove anos minha filha foi conhecer a Canção Nova com sua irmã caçula. Chegou em casa maravilhada com tudo que tinha ocorrido entorno dela. Me disse que sentiu um forte chamado de Deus: “Vem me seguir”, disse que era sério e que naquele momento estaria deixando tudo para seguir Jesus, tendo minha aprovação ou não, pois se encontrava nas mãos de Nosso Senhor.

Neotidir: Como foi a reação da mãe Maria, no momento da anunciação da vocação?
Eu fiquei assustada e como mãe, é claro que é assim… A principio não fiquei muito feliz, tive medo. Mas esse amor a Deus me chamava atenção. Mesmo assustada, sem saber o que era esse chamado e depois de ficar perdida imaginando, não impus nada e aceitei mesmo com todas as dificuldades.

Neotidir: Como foi a aceitação do votos?
A aceitação foi bastante difícil, porém o amor de Deus me impulsionou me levando também junto a ela. Assim veio a aceitação: com muito sofrimento, porque eu como mãe não deixei de sofrer ao ver minha filha abandonar tudo para seguir Jesus.

Neotidir: Como foi a aceitação da família perante a escolha da Irmã Jacinta?
Não foi simples. Suas irmãs choraram muito, todos nós choramos. Eu estava viúva e um tanto frágil, mas aos poucos fomos compreendendo.

Neotidir: Hoje como está a relação familiar?
Nós respeitamos muito a entrega na missão, não a encomodamos deixando-a sempre  livre para servir a Deus.Ela me liga de mês em mês, nosso encontro é de ano em ano e quando nos vemos é muito gostoso. Dessa forma, mato a saudade.

Neotdir: Por quais estados e cidades ela já esteve em missão?
Rio de Janeiro, Santos no estado de São Paulo e Londrina, no Paraná.

Neotidir: Você era de alguma religião?
Eu já era católica, mas minha fé se encontrava adormecida. Sentia que faltava algo dentro de mim, porém não sabia o que era. É como se eu já tivesse um desejo muito grande de encontrar Deus e minha filha me apontasse o caminho para onde ir. Através dela conheci a Toca e ali percebi a beleza de Deus, de Jesus. Comecei a ajudar como leiga na Pastoral de Rua e cozinhando em festas para os moradores de rua.Assim como a mãe Maria Luiza, Aparecida Campos nos conta como foi aceitar o chamado de Deus a seu filho Irmão Jeremias:

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Neo Entrevista

A Fraternidade Toca de Assis conta com inúmeros leigos que  auxiliam no acolhimento e serviço aos pobres e moradores de rua. Nelma Maria Cristina Ferreira é uma das leigas que ajuda nas pastorais de rua. Em entrevista, nos conta um pouco sobre suas experiências.

Neo Entrevista: Há quanto tempo e como teve início o seu trabalho na pastoral de rua da Toca de Assis?
Nelma: Há mais ou menos 4 anos. Eu comecei na pastoral de rua a convite de uns irmão que me chamaram para ajudar no Natal do Senhor.

Neo Entrevista: Existe uma preparação para as pessoas que se interessam ou desejam iniciar este trabalho?
Nelma: Não existe uma preparação para participar. Mas é necessário conhecer o trabalho e tem uma norma, onde ninguém deve se aproximar do irmão de rua sozinho, deve se ter esse cuidado e também o discernimento.

Neo Entrevista: Quais os problemas que mais frequentemente vocês encontram neste tipo de acolhimento?
Nelma: Normalmente nós somos muito bem recebidos, eles não nos trazem muitos problemas, há aqueles irmãos que não querem conversar e nós respeitamos isso.

Neo Entrevista:
Esta gratuidade e despojamento que vocês vivenciam diariamente nas ruas, já foi criticada e não é aceita por muitos. Porque você acha que algumas pessoas não aceitam?
Nelma: Penso que é porque a maioria realmente não conhece de fato este trabalho, existem pessoas que não compreendem e aquelas que tem medo dos irmãos que estão nas ruas.

Neo Entrevista:
Indo ao encontro dos pobres, dos excluídos, dos moradores de rua, o que mais lhe estimula e motiva a continuar?
Nelma: É um trabalho muito bonito, mas também é árduo, levar o alimento espiritual que muitas vezes é o que eles mais precisam, essa doação expontânea, e falar de Jesus Cristo para mim é muito importante. Ainda,é preciso estarmos constantemente vivendo essa comunhão com Deus, sem a qual esse trabalho não teria sentido.

Entrevista concedida a Silvana Ferreira Lemes

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Neo Entrevista

Warley Rocha, um jovem simpatizante da Toca de Assis, nos conta em entrevista suas experiências vividas na Fraternidade. Natural de Vitória da Conquista, Bahia, tem 20 anos, e hoje se encontra desempregado.

Warley e Ir. Maria de Fátima

Entrevista concedida a João Paulo Costa Jr. e Raphael Jota

Neo Entrevista: Qual sua opinião sobre a toca de Assis?
Warley:
A Toca é obra de Deus, semeada no coração do Pe. Roberto. Ela hoje é a manifestação da pobreza. Por excelência, nos ensina a amar a Igreja Católica e a amar os irmãos de rua como se fosse o próprio Jesus.

Neo Entrevista: Você era toqueiro?
Warley: Fui apenas vocacionado externo.

Neo Entrevista: O que é ser “vocacionado externo”?
Warley: É fazer acompanhamento vocacional por cartas. Depois participamos de dois encontros, um regional e o outro nacional. E vocacionado interno é fazer uma experiência de seis meses ou um ano dentro da Toca.

Neo Entrevista: Por que não chegou a entrar para a Toca?
Warley: Eu senti o chamado à vida sacerdotal e a Toca é um instituto não-clerical. Ou seja, os religiosos da Toca não podem receber o Sacramento da Ordem, com exceção do Padre Rogério. Essa decisão foi colocada no coração do fundador como regra de vida do carisma. Mas isso não impede que um Sacerdote que se sinta chamado a ser um Filho da Pobreza se torne um Toqueiro.

Neo Entrevista: E o que você pretende fazer?Seguir a diaconato?Será padre?
Warley: Eu me sinto chamado a me consagrar como celibatário, não sei exatamente se como Sacerdote ou apenas religioso. Tudo isso deposito nas mãos do Senhor. Pois é a Ele que pertence a minha vida. Que não se faça o meu querer, mais sim a Santissima Vontade de Nosso Senhor.

Neo Entrevista: Você já ouviu falar algo dentro da toca que deixa alguns toqueiros desiludidos?Você tem conhecimento se existem conflitos de obediência dentro da Fraternidade?
Warley: Alguns não concordaram com a quarta hora de adoração que Pe Roberto implantou dentro da Toca, outros acham que o Pe Roberto é melhor para a liturgia. Mas nada que interfira na consagração deles. Pois o que sai do coração do Pastor preenche o coração das ovelhas.

Neo Entrevista: Vários blogs e ex-integrantes da Toca de Assis nos informaram que às vezes acontecem várias festas com vinhos e cervejas dentro da Toca de Assis. O que um vocacionado externo teria a nos dizer sobre esse assunto?
Warley: Cada um fala o que quer, tenho certeza que você ouviu isso na “MONFORT”. O Sr. Fideli se diz católico, mas foi proibido de entrar em eventos de algumas dioceses, ele não fala pela igreja. Esses tipos de festas que foram mencionadas pela Monfort não passam de mentiras e injúrias contra a Toca de Assis, pois como conservador, ele não aceita esses novos institutos e movimentos que nasceram após o Concilio Vaticano II.

Neo Entrevista: Warley, você considera a Monfort uma ameaça a credibilidade da Toca?
Warley: Ameaça não. Mas acaba prejudicando a Fraternidade e a Igreja Católica, pois ela propaga mentiras não somente sobre a Toca, como de outros Institutos e Movimentos.

Neo Entrevista: O que você achou da ordenação do Pe Rogério para a Toca?
Warley: Uma graça, uma benção! Ele, como co-fundador, é o primeiro Sacerdote gerado no Carisma da Fraternidade. Auxiliará muito o Pe Roberto na direção espiritual da Toca.

Neo Entrevista: Entrevistamos alguns toqueiros que em off nos disseram que não concordam muito com a ordenação do Padre Rogério. Isso ocorre pelo fato de que o Pe Rogério até então “irmão Rafael”, fez voto de pobreza, e um padre tem privilégios como carros, uma verba  e outras coisas que enquanto toqueiro é necessário abdicar. Qual sua visão (alguém que participou ativamente) sobre este comentário dos toqueiros que não quiseram se identificar ?
Warley: Isso não vai interferir em nada. Mesmo ele tendo sido formado pela diocese, ele é consagrado de uma fraternidade, e como consagrado tem seus deveres, e entre estes está o voto da pobreza. Que todos saibam que o a ordenação do Padre Rogério foi aceita pelo Padre Roberto.

Neo Entrevista: Você já conheceu algum toqueiro que transgrediu os votos de castidade?
Warley: Sim. Afinal de contas trata-se de pessoas, e que carregam em si os desejos carnais e acabam cometendo certos pecados. Mas Jesus concedeu a Igreja a graça do Sacramento da Reconciliação (confissão), e que concede a estas pessoas a graça de unirem-se novamente a Deus, e terem uma nova chance. Eles NÃO são anjos e nem santos! Ao contrario: desejam a santidade, e santidade não é ausência de pecado e sim luta constante e reconhecimento que se é HUMANO. Estão sujeitos aos erros.

Neo Entrevista: O que você acha da discografia da Toca? Você curte as músicas da Toca? Qual música você gosta mais?
Warley:
A Toca traz em sua essência a beleza, e entre elas estão as suas músicas. Músicas que me ajudam numa experiência mais profunda do Amor de Deus por mim. Por isso a minha gratidão pelo ministério de música da Toca. São muitas músicas que eu gosto, entre elas está “Coração em Comunhão” e “Fiel Pelicano”.

Neo Entrevista: Você acha possível que no ambiente de recolhimento em que os toqueiros se encontram dentro das Casas Fraternas, pode haver regalias e privilégios para alguns e mais trabalho e mais obrigações para outros?
Warley:
Não. Não acho possivel isso, eles possuem o mesmo trabalho e a mesma espiritualidade. Pra ser verdadeiramente toqueiro precisa viver a RADICALIDADE do Carisma. E o Carisma exige DOAÇÃO!

Neo Entrevista: Você tem conhecimento de algum caso de homossexualismo entre os filhos e filhas da Toca?
Warley:
Sim. É uma realidade, não há como negar essa verdade. O problema está se este vier a viver a prática homosexual, isso é inadimissivel. Não se trata de preconceito e sim de fidelidade ao Evangelho. Pois todo homosexual deve ser amado e respeitado, e é convidado a viver a castidade, como todo e bom católico.

Neo Entrevista: Na sua visão quais são as principais deficiências da Fraternidade Aliança Toca de Assis?
Warley:
Quando se trata de Carisma eu me calo. O Carisma é Dom de Deus. O problema não está no Carisma, pois este é santo, o problema está no “vaso de argila” que o carrega. Por causa da sua frágil humanidade.

Neo Entrevista: Como você vê o futuro da Toca de Assis?
Warley:
O futuro pertence a Deus. Não se trata do nosso querer, e sim do querer de Deus. A Toca é Obra Dele. Que Ele faça o que quiser. A Toca nasceu do Altar de Deus e dos pobres e deve VIVER para o Altar. Mas desejo profunda que o Carisma não se perca, que se perpetue e mostre para o mundo que Deus está no pobre e é SACRAMENTO.


Neo Entrevista: Como um simpatizante da Toca você gostaria de deixar alguma mensagem para os jovens que desejam ingressar na Fraternidade? Que conselhos você daria para eles?

Warley:
Amados irmãos em Cristo Jesus, que o
Altar seja antes de tudo a Razão Única do vosso viver, que os pobres sejam os seus prediletos.

Se vocês se sentem vocacionados a este belo Carisma não TEMAM! Respondam a este apelo do Bom Deus. Permitam que os vossos corações seja CONSUMIDOS no Altar. Sejam verdadeiramente ADORADORES, é isso que o Pai procura: adoradores em espirito e verdade.

Sejam Jovens DESCOLADOS!

Acreditem que uma nova primavera de santos surge na Igreja! Que suas vidas PACTUEM o mundo e PROVEM que é POSSIVEL viver da ETERNIDADE!

Ouçam o que o nosso Grande Deus e Senhor diz: “quem quiser salvar a sua vida, vai perdê-la; mas, quem perde a sua vida por causa de mim e da Boa Notícia, vai salvá-la. (Mc 8, 34-35).

Pois “a pregação da cruz é loucura para os que se perdem, mas para os que são salvos, para nós, ela é força de Deus. Pois está escrito: ‘Destruirei a sabedoria dos sábios e confundirei a inteligência dos inteligentes’. Onde está o sábio? Onde o escriba? Onde o disputador desta era? Aliás, Deus não reduziu a loucura a sabedoria deste mundo? De fato, pela sabedoria de Deus, o mundo não foi capaz de reconhecer a Deus através da sabedoria, mas, pela loucura da pregação, Deus quis salvar os que crêem.” (I Cor 1, 18 – 21)

Obs.(Por favor, deixe as palavras em letra maiúscula, sublinhadas e coloridas, pois isso expressa o que eu  verdadeiramente sinto em relação a elas.)

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Neo Entrevista

O outro lado da “balança”

Entrevista com o Pastor Ademir de Brito Teixeira

Por Iara Fonseca

A Fé  está presente no coração de grande parte da nossa sociedade, fator que motiva a doação. São pessoas que crêem na presença do sobrenatural, força divina e assim, estabelecem contato entregando sua vida ao um ser perfeito e infinito. São diversas doutrinas, católica, espírita, evangélica, budista, etc. Todas, ligadas por um laço concreto de confiança no amor divino.

Hoje a Igreja e seus desdobramentos cristãos, realizam diversos papéis em nosso meio e preenchem lacunas como a desigualdade social, efetuando inúmeros projetos sociais. Contudo, percebemos que a concentração de poder financeiro nas mãos de poucos, acabam por construir um estado bastante triste, que se agrava a cada dia, mesmo com todos os trabalhos executados. Em conversa com Ademir de Brito Teixeira, 49 anos, pastor da Igreja Comunidade Cristã de Belo Horizonte, tive acesso a análise de outra religião diante da vida consagrada de doação dos integrantes da “Toca de Assis”.

‘‘É fundamental nos educarmos como povo de Deus, como povo brasileiro para não permitirmos que o empobrecimento continue aumentando e o abismo social se aprofunde no processo que não tenha volta. Ajudar o pobre e acabar com a pobreza é um dos remos do barco do amor de Deus aos homens por quem seu filho Jesus morreu’’ explica o Pastor.

Para entendermos um pouco mais sobre a uma visão de um religioso diverso dos toqueiros, algumas questões foram levantadas:

– Neo Entrevista: Como  analisa o trabalho social adotado pela “Toca de Assis”?
Pastor: Maravilhoso e fundamental para quem dele se beneficia.

– Neo Entrevista: Você acredita que a ausência diária da família seja interessante para a construção de um individuo religioso abnegado e consciente de sua missão?
Pastor: Não há uma única resposta a essa pergunta, para alguns que se sentem vocacionados sim, para a maioria não. “Família” é idéia de Deus.

– Neo Entrevista: Os Toqueiros seguem o voto de castidade, assim, não tem filhos. O Pastor acredita que existam benefícios com a interrupção da construção familiar?
Pastor: Neste caso especificamente não há de se falar em desconstrução da família, pois eles continuam parte de suas famílias. Pode-se falar em não construção de uma nova família no modelo nuclear, porém constroem outra, a da toca, dos toqueiros, irmão de fé, vida e morte.

-Neo Entrevista: Você  acredita que “o afastamento social” direciona a busca pela religiosidade?
Pastor:
Para alguns sim por um pouco de tempo, depois devem se dirigir ao seu próximo, para alguns outros não, vão construir sua experiência religiosa comunitariamente.

-Neo Entrevista: Como você analisa os votos de castidade, pobreza e obediência?
Pastor: A Castidade é vocação para alguns conforme Jesus mesmo disse (há eunucos que assim se fazem pelo reino de Deus), logo não para todos. A pobreza não vejo como virtude e sim como desafio a ser vencido, caso contrário seria um contra-senso tentar aliviar alguém de sua pobreza, logo a pobreza deve ser evitada, combatida e não aceita como uma ferramenta de santidade, virtuosidade ou carma. Já a obediência depende de cada grupo religioso ou ordem.

-Neo Entrevista: A vestimenta e indumentária utilizadas pelos integrantes da Toca de Assis é muito parecida com a de São Francisco de Assis. O que você pensa a respeito disto? No caso da personificação da imagem?Como se dá?
Pastor: As roupas de São Francisco de Assis eram nos seus dias as roupas dos pobres e não um uniforme desenvolvido para o grupo dele, então não vejo razão alguma para alguém se vestir como ele (Aliás, acho que ele não aprovaria ser um “personal style” de quem quer que seja). Mas respeito muito a opção dos indivíduos que querem se parecer com ele até nas veste.

Perguntado ainda sobre a questão do sexo, o Pastor Ademir afirmou categórico: ‘Acredito que o sexo também é coisa de Deus, assim sua importância é divina e fundamental para existência da raça e do ser humano’’.

Ademir ( foto arquivo pessoal)

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Compreender para ser compreendido, conhecendo os acolhidos

Não importam com cor, raça ou religião os acolhidos chegam nas casas fraternas e recebem um amor de pai para filhos

Por Ana Paula S. Paiva e Débora Gomes

Separados pela distância, pelos caminhos diferentes mundo a fora, tendo a certeza de que podem nunca mais ver seus familiares, desenganados da vida: assim vivem os irmão de rua. Alguns são retirados das ruas, outros chegam até a Toca levados por vizinhos ou pelos agentes de rua.  Começa aqui a história dos “acolhidos”. Além de Toqueiros, as Casas Fraternas tornam-se abrigo para os “irmãos de rua”. Cada casa abriga por volta de 10 a 25 pessoas, entre homens e mulheres. Muitos possuem casa, família, mas em alguns casos não sabem como reencontrá-los.
Os acolhidos permanecem nas casas fraternas, sob os cuidados e olhares atentos dos Toqueiros. Alguns chegam a ficar muito tempo, outros ficam poucos meses. Nas casas, os acolhidos são tratados como verdadeiros irmãos, conforme Irmão Ágape “Eles permanecem aqui. Os que estão em estado melhor, encaminhamos para empregos e damos apoio e suporte para que continuem. Os mais debilitados, com muita idade encaminhamos para asilos”. conta o Irmão.
Recebem alimentos, banho, roupas limpas e cama para dormir, além de desenvolver outras atividades, como é o caso de Airton Pereira Botelho,42, morador da Casa Fraterna Aliança de São José, no bairro Enseada das Garças (BH), que, com cordas de cisal, fabrica suportes para samambaia “é resistente! se der algum problema, pode trazer aqui que eu dou todos os outros que eu tiver”, afirma, mostrando a placa com o valor de R$10,00 (dez reais), cada suporte.
As histórias batem umas com as outras, sendo que 90% dos irmão acolhidos na casa da Pampulha, são vitimas do alcoolismo. Por conta do vício, perdem emprego, família e bens. Muitos são abandonados pelos próprios familiares.Desde filhos de fazendeiros vindos de Portugal, existe ali filhos que foram vendidos por 20 cruzeiros, como conta Raul Pereira de Souza, 67.
“Fui ambulante, vendi jabuticaba e mamão na feira” afirma. Souza que também ajudou na plantação de fumo, deixa claro que não aprendeu a fumar.
Hoje a Casa Fraterna Aliança de São José abriga cerca de 15 acolhidos, entre 40 e 75 anos.


foto: após uma oração os acolhidos recebem suas refeições

Conheça também os acolhidos da Casa Fraterna Nossa Senhora das Dores, Campinas (SP). A casa possui o diferencial de acolher Irmãos em estado terminal. Confira o vídeo:

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Neo Entrevista

Em entrevista para Neo Franciscanos: Irmãs da Casa Fraterna Nossa Senhora das Dores, Campinas (SP), falam a respeito de quando entraram para a Fraternidade Toca de Assis,  por quais cidades e casas  já passaram e contam também sobre desejos, saudades e vontades.

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