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Apresentando um irmão específico

Irmão Ictus

De um lado a família, do outro o desejo grande de ajudar ao próximo


Por Débora Gomes

Filho de comerciantes, Fábio Pereira vivia em Recife, PE, juntamente com mais 12 irmãos. Quando criança, dava mercadorias do armazém de sua mãe para quem não podia comprar. E hoje,com 24 anos, sendo 7 de vida missionária e 2 de vida consagrada, é irmão Ictus e se divide nas diversas tarefas diárias da Casa Fraterna Aliança São José.
Após conhecer sobre a vida de São Francisco de Assis, por meio de um amigo que entrara para a Toca e faltando pouco mais de um mês para completar 18 anos, Fábio resolveu fugir de casa para se tornar um toqueiro. “Minha família não aceitava minha decisão, minha mãe ficou doente, mas eu tinha que escolher”, afirma o irmão. E escolheu seguir os caminhos de Deus, que tocou seu coração atravéz de um desejo grande de ajudar ao próximo. “Todos os dias eu perguntava a Deus: onde vou ser feliz e como? Aprendi que só poderia ser feliz ajudando ao próximo, meu chamado surgiu em favor do próximo”, afirma, lembrando também que sempre foi muito apegado a mãe e que a saudade aumenta ainda mais nos finais de ano, época em que costuma vê-la.
Além da renúncia a família, os toqueiros passam também pela renúncia ao seu lugar de origem. Devido a vida missionária, podem ficar anos em uma única casa fraterna, como podem também permanecer apenas dias em determinada cidade. No caso de Irmão Ictus, não foi diferente. Acostumado com o sossego do Nordeste, passou por grandes dificuldades para se adaptar em cidades grandes como Belo Horizonte, São Paulo e Rio de Janeiro. O irmão afirma ainda que cada dia é uma renovação, um aprendizado novo e por isso, todos os dias pergunta a Deus como está e como deve ser, para que Ele lhe dê uma direção a cada novo dia.
Apesar de se dar bem com a mãe, irmão Ictus nunca se deu muito com o pai. Após a vida missionária, passou a amá-lo mais e em abril deste ano, passou os 40 dias da Quaresma cuidando dele, que estava doente. Emocionado, o irmão conta que ao chegar em casa, o pai sorrindo, compreendeu que ele tinha chegado, mas não para ficar. “Ele confiava no lugar em que eu estava, sabia que era um lugar bom.”, conta. Sem saber o que fazer, tendo em vista que o pai poderia viver anos, semanas ou dias, resolveu voltar para a Toca assim que seu pai recebeu alta. 12 dias depois, o pai faleceu, vítima de câncer. Apesar da tristeza pela morte do pai, Irmão Ictus diz que ficou feliz, pois se reconsiliaram.
Hoje, quando visita a família, vive momentos de descontração e alegria: “Quando chego lá fica a confusão. Minhas tias sempre perguntam: como a gente vai te chamar? Ictus ou Fábio? Aí eu digo que pode chamar do jeito que quiser mesmo”. O irmão conta ainda que tenta, o máximo que pode, se distanciar da vida como toqueiro quando está em casa: “Eu gosto de andar descalço e dormir no chão. Quando vou para casa, uso chinelo e durmo na cama que minha mãe prepara, para não assustá-la. As pessoas pensam que aqui a gente leva uma vida ruim, mas não é assim. Estamos aqui porque queremos estar, para servir a Deus e ao próximo”, completa o irmão, sempre com seu sotaque nordestino e um sorriso doce no rosto.


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Neo Entrevista

Mãe é sempre Mãe

‘‘Hoje ela transmite o amor de Deus. Está bem, feliz e a alegria dela é minha também’’ diz sorrindo Maria Luzia

Por Iara Fonseca

Silvânia Fortunato Mara, uma moça normal como outra qualquer. Vivendo uma adolescência em extremo processo de transformação diária, não suportava esperar: vivia apenas o presente esquecendo de tudo. Buscava apenas aproveitar e curtir a vida. Maria Luzia Fortunato Mara, 57 anos, aposentada. Mãe de quatro meninas, incluindo Silvânia Fortunato (a Irmã Jacinta),  em entrevista ao grupo Neotidir.

“Minha filha dava muito trabalho e eu ficava muito triste com as atitudes dela. Já estava viúva, com quatro moças dentro de casa. Silvania estudava a noite e começou a tomar gosto pelo tipo de vida que o mundo nos oferece. Então ela disse: “Quero ter um filho mas para a senhora cuidar e não quero casar”. Então me peguei chorando quando iniciei uma conversa com Deus: “Ô meu Deus, o que será da minha filha? Se fôr pra ela levar uma vida assim, prefiro vê-la em um convento’’.

Neotidir: Quando sua filha iniciou a vida consagrada na Toca de Assis?
Entre os dezoito e dezenove anos minha filha foi conhecer a Canção Nova com sua irmã caçula. Chegou em casa maravilhada com tudo que tinha ocorrido entorno dela. Me disse que sentiu um forte chamado de Deus: “Vem me seguir”, disse que era sério e que naquele momento estaria deixando tudo para seguir Jesus, tendo minha aprovação ou não, pois se encontrava nas mãos de Nosso Senhor.

Neotidir: Como foi a reação da mãe Maria, no momento da anunciação da vocação?
Eu fiquei assustada e como mãe, é claro que é assim… A principio não fiquei muito feliz, tive medo. Mas esse amor a Deus me chamava atenção. Mesmo assustada, sem saber o que era esse chamado e depois de ficar perdida imaginando, não impus nada e aceitei mesmo com todas as dificuldades.

Neotidir: Como foi a aceitação do votos?
A aceitação foi bastante difícil, porém o amor de Deus me impulsionou me levando também junto a ela. Assim veio a aceitação: com muito sofrimento, porque eu como mãe não deixei de sofrer ao ver minha filha abandonar tudo para seguir Jesus.

Neotidir: Como foi a aceitação da família perante a escolha da Irmã Jacinta?
Não foi simples. Suas irmãs choraram muito, todos nós choramos. Eu estava viúva e um tanto frágil, mas aos poucos fomos compreendendo.

Neotidir: Hoje como está a relação familiar?
Nós respeitamos muito a entrega na missão, não a encomodamos deixando-a sempre  livre para servir a Deus.Ela me liga de mês em mês, nosso encontro é de ano em ano e quando nos vemos é muito gostoso. Dessa forma, mato a saudade.

Neotdir: Por quais estados e cidades ela já esteve em missão?
Rio de Janeiro, Santos no estado de São Paulo e Londrina, no Paraná.

Neotidir: Você era de alguma religião?
Eu já era católica, mas minha fé se encontrava adormecida. Sentia que faltava algo dentro de mim, porém não sabia o que era. É como se eu já tivesse um desejo muito grande de encontrar Deus e minha filha me apontasse o caminho para onde ir. Através dela conheci a Toca e ali percebi a beleza de Deus, de Jesus. Comecei a ajudar como leiga na Pastoral de Rua e cozinhando em festas para os moradores de rua.Assim como a mãe Maria Luiza, Aparecida Campos nos conta como foi aceitar o chamado de Deus a seu filho Irmão Jeremias:

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As Vestes

Conheça as diferentes etapas pelas quais os Toqueiros passam antes de se tornarem Irmãos Consagrados


Por Ana Paula P. Sandim e  Débora Gomes

Os Toqueiros são reconhecidos nos lugares em que passam devido a maneira peculiar e característica de se vestirem. A cor marrom de suas vestes, as sandálias de couro ou chinelo Havaiana (quando não estão descalços), o cordão amarrado na cintura, a cruz no peito, o véu na cabeça das Irmãs Consagradas e Noviças, o corte de cabelo marcante dos Irmãos Consagrados. Tudo isso lhes concede um destaque maior em meio a multidão.

Até se tornarem Imãos (ãs) Consagrados, os Toqueiros passam por fases de transição.

Em cada fase, mudam-se as roupas e o significado das mesmas.
A primeira etapa, conhecida como vocacionado, dura cerca de seis meses. Nela, o jovem é ‘avaliado’ pelos Irmãos Consagrados, afim de descobrir se há mesmo vocação para a vida religiosa. Nesta fase, conhecida também como a fase da experiência, tanto  os homens quanto as mulheres usam camisetas com o nome da Toca, diferenciando-se na saia para as vocacionadas e calça para os vocacionados, ambos na cor marrom.

Vocacionado

Na próxima etapa, o jovem permanece por cerca de um ano: a etapa de aspirante. Nela, as vestes se igualam para ambos: marrom, com uma cruz que simboliza o Instituto Filhos e Filhas da Pobreza do Santíssimo Sacramento e os três votos (castidade, obediência e pobreza). Nessa fase também, é conhecido o TAU, uma espécie de crucifixo no formato de letra “T” que significa escolhido de Deus.


2ª Etapa e TAU


A terceira etapa, postulante, é um tempo para o jovem refletir e amadurecer sua vocação. É dividida em dois anos, sendo que no primeiro, além da veste marrom, há também o manto dos pobres (ou Jingle). No segundo ano (quarta etapa) a veste ganha um capuz, que simboliza a mendicancia.


3ª Etapa

O noviciado é a próxima etapa. Nela, os jovens religiosos, sob os cuidados dos Mestres ou Mestras de Noviços (as), se preparam por um há dois anos, para receber a consagração, a afirmação de seus votos. Para as Noviças, véu branco e hábito todo marrom. Os Noviços, hábito também marrom, mas com capuz. Para ambos, cíngulo (cordão amarrado na cintura) sem nó e a cruz de Noviços.


4ª Etapa

Por último, a etapa de Consagração. Nela, os jovens afirmam seus votos, mudam seus nomes e passam a ser Irmãos: os Irmãos Consagrados. As vestes em dois tons de marrom, o cíngulo com os três nós representando os três votos (obediência, castidade e pobreza), o crucifixo dos Consagrados, o véu marrom para as Irmãs e a tonsura (corte de cabelo, que representa a coroa de Cristo) para os Irmãos.

Crucifixo dos Consagrados

Ilustrações feitas por Joana Féres Ferreira

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Clausura: sinônimo de silêncio e meditação

O recolhimento dos filhos e filhas da Toca de Assis

Por João Paulo Costa Jr.

“A clausura é uma maneira de viver profundamente à Paixão de Cristo numa vida contemplativa vivendo em constante oração e penitência. É um voto de solidão e de recolhimento para encontrar sabedoria em Deus”, afirma a irmã Leocádia, da Toca de Assis de Betim, Sítio Tão Sublime Sacramento.

A clausura é um dos preceitos dos Filhos e Filhas da Pobreza do Santíssimo Sacramento. Por suas próprias escolhas, ambos entregam-se ao recolhimento e meditação renunciando ao mundo externo. Este modelo de vida contemplativa existe em diferentes religiões, seja no budismo, cristianismo, hinduísmo, islamismo, etc.

O significado da palavra clausura remete ao estado ou condição de quem não pode sair do claustro, ou seja, do recolhimento que é sempre voluntário e se faz num regime meditativo. É um carisma próprio, de caráter personalíssimo daquele(a) que opta por viver a fé primando pela oração, adoração e também pelo silêncio.

Segundo irmã Samira, “este clima de recolhimento e de silêncio facilita a oração, a ordem, a paz da pessoa no encontro com Deus, passando a ser sacrifício de louvor oferecido ao Pai em nome dos homens”.

A rotina dos enclausurados(as) começa cedo, com a oração da manhã e depois uma pausa para os trabalhos domésticos da Casa Fraterna. Após os cuidados com a Casa e acolhidos, mais oração e recolhimento. Depois de uma hora ou duas horas de recreação e estudos bíblicos, oração de novo até o fim do dia.

Irmã Samira que já viveu enclausurada e agora é a administradora da Casa de Betim, destaca que as religiosas vivem felizes na clausura, na pobreza e na penitência. “É muito bom para as irmãs que não reclamam, muito pelo contrário, ao orarem com a mente e coração, não oram sozinhas, oram com amor e pelo amor de Cristo”. Ela recorda ainda que antes de entrar para a Toca, era funcionária pública, tinha uma vida agitada e somente após a escolha de se tornar filha da pobreza e passar pela consagração em longos períodos de clausura, encontrou paz interior. “Senti um impulso muito forte para uma vida de oração. Só que no mundo lá fora, pela agitação, não tem como fazer isso. Hoje, por tudo que tenho  vivido, pelas orações que são diárias, mesmo não estando em clausura, me sinto muito melhor e um pouco mais completa”.

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Compreender para ser compreendido, conhecendo os acolhidos

Não importam com cor, raça ou religião os acolhidos chegam nas casas fraternas e recebem um amor de pai para filhos

Por Ana Paula S. Paiva e Débora Gomes

Separados pela distância, pelos caminhos diferentes mundo a fora, tendo a certeza de que podem nunca mais ver seus familiares, desenganados da vida: assim vivem os irmão de rua. Alguns são retirados das ruas, outros chegam até a Toca levados por vizinhos ou pelos agentes de rua.  Começa aqui a história dos “acolhidos”. Além de Toqueiros, as Casas Fraternas tornam-se abrigo para os “irmãos de rua”. Cada casa abriga por volta de 10 a 25 pessoas, entre homens e mulheres. Muitos possuem casa, família, mas em alguns casos não sabem como reencontrá-los.
Os acolhidos permanecem nas casas fraternas, sob os cuidados e olhares atentos dos Toqueiros. Alguns chegam a ficar muito tempo, outros ficam poucos meses. Nas casas, os acolhidos são tratados como verdadeiros irmãos, conforme Irmão Ágape “Eles permanecem aqui. Os que estão em estado melhor, encaminhamos para empregos e damos apoio e suporte para que continuem. Os mais debilitados, com muita idade encaminhamos para asilos”. conta o Irmão.
Recebem alimentos, banho, roupas limpas e cama para dormir, além de desenvolver outras atividades, como é o caso de Airton Pereira Botelho,42, morador da Casa Fraterna Aliança de São José, no bairro Enseada das Garças (BH), que, com cordas de cisal, fabrica suportes para samambaia “é resistente! se der algum problema, pode trazer aqui que eu dou todos os outros que eu tiver”, afirma, mostrando a placa com o valor de R$10,00 (dez reais), cada suporte.
As histórias batem umas com as outras, sendo que 90% dos irmão acolhidos na casa da Pampulha, são vitimas do alcoolismo. Por conta do vício, perdem emprego, família e bens. Muitos são abandonados pelos próprios familiares.Desde filhos de fazendeiros vindos de Portugal, existe ali filhos que foram vendidos por 20 cruzeiros, como conta Raul Pereira de Souza, 67.
“Fui ambulante, vendi jabuticaba e mamão na feira” afirma. Souza que também ajudou na plantação de fumo, deixa claro que não aprendeu a fumar.
Hoje a Casa Fraterna Aliança de São José abriga cerca de 15 acolhidos, entre 40 e 75 anos.


foto: após uma oração os acolhidos recebem suas refeições

Conheça também os acolhidos da Casa Fraterna Nossa Senhora das Dores, Campinas (SP). A casa possui o diferencial de acolher Irmãos em estado terminal. Confira o vídeo:

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Neo Entrevista

Em entrevista para Neo Franciscanos: Irmãs da Casa Fraterna Nossa Senhora das Dores, Campinas (SP), falam a respeito de quando entraram para a Fraternidade Toca de Assis,  por quais cidades e casas  já passaram e contam também sobre desejos, saudades e vontades.

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Carisma Franciscano e os Votos dos Consagrados

Entenda o carisma e os votos Franciscanos, o que representa cada voto para os membros da Toca, como é a preparação e aceitação dos votos consagrados

Por João Paulo Costa Jr.

Não há como falar dos votos de pobreza, castidade e obediência sem antes entender o carisma Franciscano que é a base de sustentação destes mesmos votos. A palavra carisma, vem do grego “cháris” que significa graça e dom divino.

Alicerçados pelo Evangelho e lembrando o que diz Mateus: “Onde dois ou mais estiverem reunidos em meu nome eu estarei no meio deles”(Mt 18,20) e “todo aquele que tenha deixado casa ou irmãos ou irmãs ou pai ou mãe ou filhos, ou terras, por causa do meu nome, receberá muito mais e herdará a vida eterna” (Mt 19.29), os Toqueiros se reúnem em Casas Fraternas e procuram se amar em plenitude como se fosse uma família de Deus. Todos os membros passam por um processo de consagração e após serem consagrados nos votos de pobreza, castidade e obediência, deixam seus nomes civis para trás, passando a assinar um nome religioso e a personificar neles próprios, estes ideais.

Para viverem suas vidas de cristãos pautadas na fé, na comunhão e no auxílio aos mais necessitados, é necessário entender o “Carisma Franciscano” que os chama a se consagrarem nos votos de pobreza, castidade e obediência. “Os votos que fazemos nos fortalecem na vivência de uma vida religiosa, isenta das coisas do mundo. “O que sinto por Deus e pelos irmãozinhos que ajudamos, é muito maior que à própria renúncia dos bens materiais e da carne.” afirma irmão Petrus, membro da Fraternidade Aliança São José, em Belo Horizonte.

Os três votos têm sua fonte na Sagrada Escritura e constituem a renúncia a valores efêmeros que devem ser sublimados de suas vidas. Assim, na radicalidade do Evangelho, indo aparentemente contra as concepções modernas de sociedade, onde detectamos grande egocentrismo, banalização do sexo, individualismo e apego aos bens materiais, os toqueiros e filhas da pobreza professam seus votos afirmando compromissos de vida com a prática da pobreza, castidade e obediência. “Nosso objetivo é viver uma vida religiosa de auxílio aos mais necessitados e diariamente nos ensinamentos de Cristo e pautados pelos votos, nos encontrarmos com Deus”, explica o irmão João Batista, membro da Toca em Belo Horizonte.

Os Votos

O voto de pobreza pode ser entendido como um voto em que o irmão consagrado se contenta humildemente com o necessário e esquece-se do supérfluo. Reparte o que tem e não cobiça aquilo que os outros possuem. É uma maneira sóbria de viver com simplicidade, sem ostentação e consiste em solidariedade com aqueles que têm ainda menos. É viver destituído de posses e praticar o desapego. “Viver na pobreza, é também colocar o tempo, os dons e nossos talentos a serviço da comunidade e da Fraternidade”  conta,  irmã Samira do Sítio Tão Sublime Sacramento, em Betim.

O voto de castidade é uma opção por uma vida sem casar, sem sexo e sem masturbação. “Sem o casamento e praticando o desapego da carne trabalha-se o espírito. O voto de castidade para mim não é problema, entrei para a Toca com 16 anos, não tive muita experiência. Sinto que ocupo muito melhor a mente, espírito e corpo com as coisas de Deus”  relata a noviça Tamires.
Deixando-se seduzir pelo Senhor, os membros da Toca renunciam ao matrimônio para se dedicarem a um único amor: o amor aos mais necessitados.

O voto de obediência, é o exercício de aceitar uma hierarquia estabelecida pela Fraternidade. É uma obediência ao plano de Deus, aos ritos e as consagrações. “A obediência consiste numa profunda atitude de escuta do que Deus fala no dia-a-dia” – explica o irmão Jeremias, membro da Toca de Assis, no bairro Enseada das Garças em Belo Horizonte.

ilustração por Joana Féres Ferreira, Toca de Assis

ilustração por Joana Féres Ferreira, Toca de Assis

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