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Outras Questões

Razão x Fé

Por Débora Gomes


Em uma conversa com os Irmãos da Casa Fraterna Aliança São José, há alguns dias atrás, perguntei o que eles (os toqueiros) tinham a dizer sobre os questionamentos e as divergências de opiniões entre as pessoas, quando falamos da Toca de Assis. Como resposta, ouvi a seguinte frase: “A resposta é simples. Algumas pessoas são movidas pela fé e outras pela razão.”
Aquelas pessoas que usam a fé para compreender a vida dos toqueiros, simplesmente acreditam, amam e sentem o amor de Cristo em cada gesto dos irmãos. Mas também é preciso existir os questionamentos, as dúvidas, as interrogações e isso cabe a razão. E o que seria do mundo sem a razão para abrir os olhos da fé? E o que seria da razão sem um pouco de fé para fazê-la acreditar um pouco no mundo?
No decorrer de todo o trabalho, ouvimos diversas opiniões, lemos outras e formamos as nossas nos baseando nas experiências que vivemos. Claro que levantamos nossos questionamentos e buscamos respostas para todos eles. Encontramos o equilibrio e só depois dessa conversa com os irmão Ictus e Jeremias é que encontrei a resposta para a divergência de opiniões dentro do nosso próprio grupo. A resposta é simples: razão e fé, porque ninguém é igual. Cada um possui uma maneira de enxergar e sentir o mundo e é isso que mantém as coisas vivas e ainda caminhando.

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Outras Questões

Voltando ao meu mundo

Por Bruno Moreira Pereira

Ao longo das pesquisas e entrevistas, tivemos muitas experiências acompanhando os toqueiros em seus trabalhos. Vivenciamos muitas coisas e tentamos simplesmente pensar como eles e entender o porquê de abdicar de tantas coisas para se sentir mais perto de Jesus, numa busca de sentir melhor físico e espiritualmente falando. No trabalho que realizamos, por nossa doação, comprometimento e curiosidades, acho que muitas vezes nos esquecemos que não somos toqueiros. Nosso modo de ver as coisas é diferente, podemos comprar coisas para nos sentirmos melhores sim e podemos como devemos ter relações com o sexo oposto, pois é importante para a nossa formação como pessoas. Depois de vivenciarmos o universo dos toqueiros é hora de voltarmos para o nosso mundo e pensar que se você fizer todos os votos que eles fazem para viver uma vida consagrada, provavelmente a sua vida será chata e cheia de depressões que você não poderia controlar. A nossa iniciativa de querer entender o que são os toqueiros não pode ser confundida como uma campanha para que as pessoas façam todos os votos e virem toqueiros. Não temos esta pretensão e não é nosso objetivo e temos que observar que existem prós e contras para se viver uma vida religiosa. Tive a oportunidade de ir ao encontro dos toqueiros nas realizações da pastoral de rua por duas vezes. (trabalho em que toqueiros e leigos saem pelas ruas ajudando os moradores de rua ). Admirei o trabalho, mas realmente nunca iria numa sexta-feira ajudar moradores de rua ao invés de encontrar com meus amigos ou ir a um show. É louvável, mas sair pela rua ajudando, não que isso não seja certo, mas não é meu ideal de vida, pois não pretendo ser um toqueiro.
Para concluir, queria dizer que o trabalho deles é bonito e ajuda muitas pessoas, só que não aconselho ninguém que não tenha um perfil religioso a seguir este caminho. Será que vale a pena radicalizar e acabar com tudo aquilo de bom desta vida para cultuar um Deus e se sentir mais perto dele?

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Outras Questões

Qual a identidade?

Por João Paulo Costa Jr. e Raphael Jota

Modernas Transformações

A identidade está sempre em formação sendo criada ao longo dos anos num contínuo processo de mudança. Na modernidade e especialmente no âmbito religioso, não é diferente. E hoje talvez os processos de mudanças dos indivíduos sejam ainda mais acentuados, na medida em que é assimilado um grande volume de informações culturais e de novas tendências. Estas tendências num mundo extremamente individualista podem gerar “crises de identidade” e necessidades de alguns em não viver na materialidade egóica dos dias modernos.

Afirmando identidades

Os indivíduos, para se afirmarem como tal, buscam viver uma vida pautada na diferença. Sob este aspecto, a sensibilidade dos toqueiros recupera velhos elementos tradicionais e cria novas formas estéticas de expressões, que reafirmam a necessidade de apaziguar conflitos interiores do indivíduo. E pelo que verificamos, o processo de afirmação da identidade dos toqueiros subentende novas escolhas de perspectivas de vida, ideologias, valores, costumes e modo de viver pelos exemplos cristãos.

É fácil observar grupos que se juntam por afinidades para criar uma identidade coletiva e ao final uma identidade singular, una e personalíssima. A exemplo dos toqueiros, os punks, os emos, os surfistas, osskin heads, as juventudes evangélicas, os skatistas, os metaleiros, os clubers, os agroboys, os regueiros,entre muitos outros grupos, todos se juntam por afinidades para se afirmarem na construção e na desconstrução de suas identidades pautadas por valores que lhes são peculiares. São modismos, cabelos diferentes, roupas e indumentárias incomuns para chocar, afirmar ou reafirmar a fragmentação de velhos e novos valores de nossa sociedade que estão sendo constantemente absorvidos, reinventados ou sublimados.

Após todo o processo de postulação e consagração, os filhos e filhas da pobreza do santíssimo sacramento deixam seus nomes civis para trás, passando a assinar um nome religioso e personificar nele próprio os ideais da vocação que sentiram pulsar em seus corações e espíritos. Em cima deste mesmo nome religioso encontram e afirmam suas identidades na medida em que (ao nosso ver), preenchem lacunas de uma outra identidade que existia anteriormente.

A ruptura e desconstrução

Em nossa visão de leigos, os irmãos e irmãs não só deixam suas famílias, carreiras profissionais e amores para trás. Numa ruptura visceral, assumem a postura de uma vida consagrada a favor do próximo, descontruindo o que viveram outrora e embasados nos votos de pobreza, castidade e obediência controem uma identidade “reformada” com um apelo racional fortíssimo de mudança de postura ao assumirem uma concepção de identidade diversa do que a sociedade atual nos cobra viver.

Assim, indo ao contrário da maioria dos jovens, os toqueiros reinventam valores antigos de linguagens para se afirmarem na atualidade com novas formas de relacionamentos com a materialidade, com o sexo e o sagrado, sempre pelo viés da emoção e fé, rompendo o pré-estabelecido.

Os ícones de referência

Para se afirmarem, ao nosso ver, os toqueiros e irmãs da pobreza vêem seus sacrifícios como o arcabouço de suas identidades nutridas por uma certa veneração ao Pe. Roberto Lettieri, visto como um santo vivo. Estes jovens cultuam São Francisco de Assis e Lettieri como exemplos. Mas será que os outros grupos também não fazem o mesmo? À sua maneira, lógico, mas também cultuam ídolos do rock, da música, da política, da arte, da televisão, do ramo dos negócios etc, sempre buscando modelos de referência. A diferença entre os toqueiros e outro grupo qualquer talvez seja somente o apelo à religiosidade. Mas, todos buscam referências comportamentais de acordo com o que pensam e almejam da vida.

O crescimento da Toca

Após quase quinze anos de vida, a Toca de Assis no Brasil encontra-se em franco crescimento. Acreditamos que isto se deve ao fato de que é uma fraternidade que inspira aos jovens seguidores, novas e velhas expressões de comportamento com modelos ideológicos reinventados e adaptados para os dias atuais. Talvez consigam passar respostas concretas para as buscas de referências destes jovens, que se afinam com o ideal cristão e com um modelo comportamental, a partir do qual contestam também o mundo plural em que vivemos.

A pergunta é:

É válido contestar a personalidade que os toqueiros tinham antes de se consagrarem na Fraternidade?

Explicamos: antes de se consagrarem eles eram Rodrigos, Natálias, Jefersons e Jéssicas. Após a consagração, eles assumem outro nome: um nome religioso. E aí deixamos o questionamento: esta postura de materializar outro nome e novas posturas constrói ou desconstrói a identidade primeira que eles possuíam? E a bagagem que traziam antes ainda os influencia? Quem teve experiências em ter bens materiais, carreiras profissionais e experiências sexuais consegue se desvencilhar totalmente do mundo anterior, em face dos votos de castidade, pobreza e obediência?

Essas são questões que essa primeira aproximação não é suficiente para respondê-las, mas esperamos que como estudantes de jornalismo possamos sempre fomentar e levantar discussões em torno da sociedade em que vivemos.


Fonte de pesquisa: HALL, Stuart. A identidade cultural na pós-modernidade. 11ª ed.Rio de Janeiro: Editora DP&A, 2006.

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Outras Questões

Bendito seja o Irmão que abandonou a Irmandade

Por Augusto Fortes

Ao longo desses meses em que trabalhamos a “causa” dos toqueiros, que chega a população quase que como um apelo – “Vejam como amamos os pobres!” – algumas perguntas não obtiveram respostas, ou se as obtiveram, foram simples preceitos quase sonoramente cantados pela perfeição da “decoreba” aplicada. Mas em uma das minhas voltas à minha realidade, que não é a dos toqueiros afinal sou gente comum, me lembrei de uma entrevista com um Irmão Consagrado da Toca que me alertou para um fato que, até então não tinha tomado ciência. É sobre a ordenação do primeiro toqueiro como padre.
São três votos que compõem a estrutura sacerdotal de um toqueiro: obediência, castidade e pobreza.

Concordo que um padre deve ser obediente, casto, mas também enxergo que passa longe dos ideais dos toqueiros, uma vez que o padre tem uma morada fixa, desfruta de luxos como boas refeições, transporte, empregados e dinheiro. O que o sacerdote quiser, ele pode ter contanto que não desrespeite os votos de obediência e castidade. Não há mal em viajar, aproveitar um período de férias, pregar em outras paróquias ou até mesmo se divertir em momentos de folga na casa dos amigos conquistados ao longo de sua trajetória sacerdotal. Sem esquecer dos padres prefeitos, deputados, partidários e afins.

O meu ponto de vista aqui só serve para lembrar que a vida de um toqueiro se difere, e muito, da vida de um padre. Então, será que a ordenação do homem comum Rogério, consagrado toqueiro como irmão Rafael, agora novamente Rogério, mas como padre – é que uma vez toqueiro ordenado Irmão Consagrado, abandona-se a verdadeira identidade para ganhar uma nova vida, no caso dele de Rogério para Rafael e agora novamente Rogério –, não é uma afronta ao sistema que o lançou à vida religiosa e pela qual seguiu seu chamado? E será que assim como um adolescente muda de opiniões pelo furor das oportunidades que o mundo lhe reserva, o mesmo Irmão Consagrado, certo de sua vida de toqueiro obediente, casto e pobre mudou de opinião com relação a sua vocação e preferiu os lençóis aconchegantes, a farta refeição, o calor da companhia dos amigos e a liberdade de poder descansar em férias e passeios quando assim seu corpo pedir? Ou ainda assim dormirá no meio dos menos favorecidos, se sentará à mesa com eles para se alimentar e pregará nas ruas, onde não há a pompa e os adornos áureos existentes em suas capelas?
E se outros toqueiros passarem a aderir à nova moda de se consagrar padre, como ficará a instituição? E as forças pregadas por eles? Para onde iria o voto de pobreza?
Com tantas perguntas, talvez esta não seja uma grande conquista da Toca de Assis e sim o começo da desestrutura de uma grande ordem.

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Outras Questões

Ambiguidades sobre os votos de pobreza e trabalho social da Toca.

Por João Paulo Costa Jr.

Ao adentrarmos o universo dos toqueiros com muitas entrevistas, diversas pesquisas e reiteradas conversas alguns pontos ficaram no ar. E como pequeno operador da comunicação e estudante de jornalismo que necessita mirar o objeto de estudo com imparcialidade não poderia deixar de levantar algumas questões curiosas e complexas que chamaram minha atenção e a de outros colegas de faculdade ao adentrarmos o universo dos filhos e filhas da “Toca de Assis”.

Tais questões foram motivos de debates entre alguns de nós estudantes e por este fato, trazemos ao grande público por entender serem merecedoras de reflexão.

Portanto, democraticamente, na qualidade de quem levanta questões, abrimos este espaço em que seremos mediadores dos desdobramentos destas mesmas questões e dos “porquês” que surgirão com o que passamos a expor.

Produtos e vendagens X Votos de Pobreza

– Uma das questões é a vendagem de CD’s, DVD’s e produtos como camisetas, bonés e adesivos com a marca “TOCA”. Isso não deixa de ser curioso e pode ser entendido como mercadológico para alguns, ao passo que a “Toca” é um instituto que é defensor do voto de pobreza e se diz avessa ao consumismo moderno.

– Outra questão importante que merece atenção: será que a música dos toqueiros e o constante lançamento de CD’s e glamour de show’s, não abandona em alguns momentos o propósito de difundir o Evangelho para somente tornar-se mais uma forma rentável de sucesso como qualquer outra no mercado fonográfico?

– È público e notório que o mercado de música cristã e gospel com músicas de louvor e adoração são uma fonte muito rentável com números crescentes e redondos no Brasil e em todo o mundo. Pensando neste sentido, será que o Ministério da Música da Toca de Assis capitaliza a fé de seus simpatizantes? Como explicar os votos de pobreza em face da vasta discografia, vendas e popularização da música dos toqueiros?

– Cabe ainda perguntar: será que este mercado estabelecido pela “TOCA” também não aguça o íntimo de cada toqueiro e filhas da pobreza a quererem também consumí-lo? Será que eles e elas não se percebem sentido necessidades (consumismo) de adquirir um CD, uma camiseta ou um adesivo daquilo que cultuam?

– Quem vende estes produtos do outro lado do balcão vê irmãos de fraternidade ou clientes? Ou entende que o consumismo funciona tranquilamente diante do voto de pobreza? Há conflitos neste sentido?

– Então, jogando um pouquinho mais de pimenta, pergunto: será somente uma tendência moderna de comunicação e disseminação dos valores em que eles acreditam?As músicas dos toqueiros são “fabricadas” e produzidas como forma de agradar e estabelecer mais adoração e mais apego aos votos realizados pelos simpatizantes? Qual é a proposta de fato? Existe um pensamento de adoração ou na verdade é uma maneira mercantilista de atingir maiores seguidores? Será que os cantores de fato não ganham um “cachezinho” por seus show’s e músicas gravadas? Levanto estes questionamentos.

Trabalhos sociais X Efeito paliativo

– É inegável o valor dos filhos e filhas da Toca de Assis como agentes de transformação social na medida em que auxiliam centenas de miseráveis, moradores de rua, doentes e pessoas abandonadas. Considerando que a “Toca de Assis” é um instituto religioso e por tratar-se de um grupo de cunho assistencialista que já tem um trabalho notável em franco desenvolvimento nas ruas dos principais centros urbanos de nosso país, não seria interessante expandi-lo e deixar de ser apenas um paliativo à vida dos miseráveis?

– Mais pimenta: por que somente dar o peixe ao morador de rua quando se pode dar a vara para pescar ?

– Será que este trabalho de pastoral e acolhimento não vicia de alguma forma os assistidos a permanecerem em suas zonas de conforto?

– Por que não trabalhar e divulgar ainda mais este grandioso trabalho? Por que não convidar a iniciativa privada e pública para serem parceiros nos trabalhos? – Seria interessante trabalharem junto a programas governamentais de fomento à assistência social?

– Temos conhecimento de que em algumas cidades como Campinas, existe uma parceria da Prefeitura com as Casas Fraternas locais para tratar de doentes e pessoas abandonadas. Por que não seguir este exemplo na assistência aos irmãos de rua? Existe possibilidade de maior aproximação do poder público com o trabalho dos toqueiros? E o inverso pode acontecer?

Deixo levantadas estas questões, esperando de sorte, como estudante de jornalismo, fomentar discussões produtivas e construtivas.

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Neo Entrevista

O outro lado da “balança”

Entrevista com o Pastor Ademir de Brito Teixeira

Por Iara Fonseca

A Fé  está presente no coração de grande parte da nossa sociedade, fator que motiva a doação. São pessoas que crêem na presença do sobrenatural, força divina e assim, estabelecem contato entregando sua vida ao um ser perfeito e infinito. São diversas doutrinas, católica, espírita, evangélica, budista, etc. Todas, ligadas por um laço concreto de confiança no amor divino.

Hoje a Igreja e seus desdobramentos cristãos, realizam diversos papéis em nosso meio e preenchem lacunas como a desigualdade social, efetuando inúmeros projetos sociais. Contudo, percebemos que a concentração de poder financeiro nas mãos de poucos, acabam por construir um estado bastante triste, que se agrava a cada dia, mesmo com todos os trabalhos executados. Em conversa com Ademir de Brito Teixeira, 49 anos, pastor da Igreja Comunidade Cristã de Belo Horizonte, tive acesso a análise de outra religião diante da vida consagrada de doação dos integrantes da “Toca de Assis”.

‘‘É fundamental nos educarmos como povo de Deus, como povo brasileiro para não permitirmos que o empobrecimento continue aumentando e o abismo social se aprofunde no processo que não tenha volta. Ajudar o pobre e acabar com a pobreza é um dos remos do barco do amor de Deus aos homens por quem seu filho Jesus morreu’’ explica o Pastor.

Para entendermos um pouco mais sobre a uma visão de um religioso diverso dos toqueiros, algumas questões foram levantadas:

– Neo Entrevista: Como  analisa o trabalho social adotado pela “Toca de Assis”?
Pastor: Maravilhoso e fundamental para quem dele se beneficia.

– Neo Entrevista: Você acredita que a ausência diária da família seja interessante para a construção de um individuo religioso abnegado e consciente de sua missão?
Pastor: Não há uma única resposta a essa pergunta, para alguns que se sentem vocacionados sim, para a maioria não. “Família” é idéia de Deus.

– Neo Entrevista: Os Toqueiros seguem o voto de castidade, assim, não tem filhos. O Pastor acredita que existam benefícios com a interrupção da construção familiar?
Pastor: Neste caso especificamente não há de se falar em desconstrução da família, pois eles continuam parte de suas famílias. Pode-se falar em não construção de uma nova família no modelo nuclear, porém constroem outra, a da toca, dos toqueiros, irmão de fé, vida e morte.

-Neo Entrevista: Você  acredita que “o afastamento social” direciona a busca pela religiosidade?
Pastor:
Para alguns sim por um pouco de tempo, depois devem se dirigir ao seu próximo, para alguns outros não, vão construir sua experiência religiosa comunitariamente.

-Neo Entrevista: Como você analisa os votos de castidade, pobreza e obediência?
Pastor: A Castidade é vocação para alguns conforme Jesus mesmo disse (há eunucos que assim se fazem pelo reino de Deus), logo não para todos. A pobreza não vejo como virtude e sim como desafio a ser vencido, caso contrário seria um contra-senso tentar aliviar alguém de sua pobreza, logo a pobreza deve ser evitada, combatida e não aceita como uma ferramenta de santidade, virtuosidade ou carma. Já a obediência depende de cada grupo religioso ou ordem.

-Neo Entrevista: A vestimenta e indumentária utilizadas pelos integrantes da Toca de Assis é muito parecida com a de São Francisco de Assis. O que você pensa a respeito disto? No caso da personificação da imagem?Como se dá?
Pastor: As roupas de São Francisco de Assis eram nos seus dias as roupas dos pobres e não um uniforme desenvolvido para o grupo dele, então não vejo razão alguma para alguém se vestir como ele (Aliás, acho que ele não aprovaria ser um “personal style” de quem quer que seja). Mas respeito muito a opção dos indivíduos que querem se parecer com ele até nas veste.

Perguntado ainda sobre a questão do sexo, o Pastor Ademir afirmou categórico: ‘Acredito que o sexo também é coisa de Deus, assim sua importância é divina e fundamental para existência da raça e do ser humano’’.

Ademir ( foto arquivo pessoal)

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Artigo

Luciana Petraconni Torres – Psicóloga/ PUC Minas

O trabalho desenvolvido pela comunidade em relação aos marginalizados com certeza é de grande valia. Na sociedade em que vivemos, os indivíduos que moram nas ruas não possuem identidade frente a sociedade. O tratamento que recebem das demais pessoas que são diferenciadas somente pela conta bancária é muito humilhante e discriminador. O papel desta fraternidade intervém na modificação de comportamentos dos acolhidos para que estes possam se sentirem dignos de respeito pelo outro. O respeito pelo outro está no campo da liberdade, dignidade, integridade física e psicológica, preservação da intimidade, autonomia e bem-estar. Existe uma consciência e aceitação das diferenças individuais, culturais e de opiniões. O Psicólogo pode ajudar a facilitar esta intervenção, uma vez que este profissional possui dever de privacidade, confidencialidade e responsabilidade social, este está preparado a não influenciar a vida de uma pessoa aproveitando de um momento vulnerável ou em sofrimento. Assim, este tem a função de escutar, compreender e ajudar de uma forma positiva todas as manifestações do outro.

Acredito que toda ajuda ao outro é muito boa, a Fraternidade deve sim estudar para ajudá-los a lidar melhor com estas pessoas. Quanto ao despreparo, acho muito relativo, pois quem de nós está preparado para todas as situações que vivemos? Tenho certeza que estas pessoas acolhidas ficarão bem melhores só pelo simples fato de se sentirem tratadas como seres humanos. Acredito sim que muitos podem aproveitar esta oportunidade e se sentirem socializados.

Entrevista concedida a Jesus Sérgio Moreira , um olhar psicológico sobre os Toqueiros

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