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Renovação de votos

Ocorreu no dia 14 de novembro a renovação de votos dos membros da Toca de Assis de Belo Horizonte.Foram quinze irmãos, que mais uma vez renovaram seu compromisso perante a população e a Igreja católica. Estavam presentes Irmão Gabriel, atual ministro geral da congregação e o Dom Walmor Oliveira de Azevedo, arcebispo metropolitano de Belo Horizonte.Uma vez no ano acontece renovação dos votos de pobreza, castidade e obediência até chegar ao sétimo ano, quando o toqueiro efetua sua escolha final: o chamado ‘perpétuo’ ou seja, vitalício.

Natal do Senhor

Todos os anos, a Toca de Assis promove o Natal do Senhor. Com a ajuda de leigos e voluntários, os toqueiros dão aos moradores de rua uma verdadeira celebração natalina, com direito a corte de cabelo, banho e roupas limpas. “É uma pastoral de rua em dimensões maiores, mais concentrada”, explica um dos irmãos. À noite, é servida a ceia acompanhada de orações, agradecimentos e satisfação no rosto dos imãos de rua.

O Natal do Senhor acontece com a ajuda de doações, que podem ser feitas diretamente na casa ou através de depósito bancário.

Quer ajudar?

Casa Fraternidade de Aliança São José
Banco: Caixa economica Federal
AG:1640001
Conta Corrente: 30120.6
Em nome: Conceição Bensica Mourão

Conheça a Toca de Assis,  rua dos Flamingos, 96, Enseada das Garças. Belo Horizonte -MG Telefone (31)3441-9607

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Outras Questões

Bendito seja o Irmão que abandonou a Irmandade

Por Augusto Fortes

Ao longo desses meses em que trabalhamos a “causa” dos toqueiros, que chega a população quase que como um apelo – “Vejam como amamos os pobres!” – algumas perguntas não obtiveram respostas, ou se as obtiveram, foram simples preceitos quase sonoramente cantados pela perfeição da “decoreba” aplicada. Mas em uma das minhas voltas à minha realidade, que não é a dos toqueiros afinal sou gente comum, me lembrei de uma entrevista com um Irmão Consagrado da Toca que me alertou para um fato que, até então não tinha tomado ciência. É sobre a ordenação do primeiro toqueiro como padre.
São três votos que compõem a estrutura sacerdotal de um toqueiro: obediência, castidade e pobreza.

Concordo que um padre deve ser obediente, casto, mas também enxergo que passa longe dos ideais dos toqueiros, uma vez que o padre tem uma morada fixa, desfruta de luxos como boas refeições, transporte, empregados e dinheiro. O que o sacerdote quiser, ele pode ter contanto que não desrespeite os votos de obediência e castidade. Não há mal em viajar, aproveitar um período de férias, pregar em outras paróquias ou até mesmo se divertir em momentos de folga na casa dos amigos conquistados ao longo de sua trajetória sacerdotal. Sem esquecer dos padres prefeitos, deputados, partidários e afins.

O meu ponto de vista aqui só serve para lembrar que a vida de um toqueiro se difere, e muito, da vida de um padre. Então, será que a ordenação do homem comum Rogério, consagrado toqueiro como irmão Rafael, agora novamente Rogério, mas como padre – é que uma vez toqueiro ordenado Irmão Consagrado, abandona-se a verdadeira identidade para ganhar uma nova vida, no caso dele de Rogério para Rafael e agora novamente Rogério –, não é uma afronta ao sistema que o lançou à vida religiosa e pela qual seguiu seu chamado? E será que assim como um adolescente muda de opiniões pelo furor das oportunidades que o mundo lhe reserva, o mesmo Irmão Consagrado, certo de sua vida de toqueiro obediente, casto e pobre mudou de opinião com relação a sua vocação e preferiu os lençóis aconchegantes, a farta refeição, o calor da companhia dos amigos e a liberdade de poder descansar em férias e passeios quando assim seu corpo pedir? Ou ainda assim dormirá no meio dos menos favorecidos, se sentará à mesa com eles para se alimentar e pregará nas ruas, onde não há a pompa e os adornos áureos existentes em suas capelas?
E se outros toqueiros passarem a aderir à nova moda de se consagrar padre, como ficará a instituição? E as forças pregadas por eles? Para onde iria o voto de pobreza?
Com tantas perguntas, talvez esta não seja uma grande conquista da Toca de Assis e sim o começo da desestrutura de uma grande ordem.

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Outras Questões

Ambiguidades sobre os votos de pobreza e trabalho social da Toca.

Por João Paulo Costa Jr.

Ao adentrarmos o universo dos toqueiros com muitas entrevistas, diversas pesquisas e reiteradas conversas alguns pontos ficaram no ar. E como pequeno operador da comunicação e estudante de jornalismo que necessita mirar o objeto de estudo com imparcialidade não poderia deixar de levantar algumas questões curiosas e complexas que chamaram minha atenção e a de outros colegas de faculdade ao adentrarmos o universo dos filhos e filhas da “Toca de Assis”.

Tais questões foram motivos de debates entre alguns de nós estudantes e por este fato, trazemos ao grande público por entender serem merecedoras de reflexão.

Portanto, democraticamente, na qualidade de quem levanta questões, abrimos este espaço em que seremos mediadores dos desdobramentos destas mesmas questões e dos “porquês” que surgirão com o que passamos a expor.

Produtos e vendagens X Votos de Pobreza

– Uma das questões é a vendagem de CD’s, DVD’s e produtos como camisetas, bonés e adesivos com a marca “TOCA”. Isso não deixa de ser curioso e pode ser entendido como mercadológico para alguns, ao passo que a “Toca” é um instituto que é defensor do voto de pobreza e se diz avessa ao consumismo moderno.

– Outra questão importante que merece atenção: será que a música dos toqueiros e o constante lançamento de CD’s e glamour de show’s, não abandona em alguns momentos o propósito de difundir o Evangelho para somente tornar-se mais uma forma rentável de sucesso como qualquer outra no mercado fonográfico?

– È público e notório que o mercado de música cristã e gospel com músicas de louvor e adoração são uma fonte muito rentável com números crescentes e redondos no Brasil e em todo o mundo. Pensando neste sentido, será que o Ministério da Música da Toca de Assis capitaliza a fé de seus simpatizantes? Como explicar os votos de pobreza em face da vasta discografia, vendas e popularização da música dos toqueiros?

– Cabe ainda perguntar: será que este mercado estabelecido pela “TOCA” também não aguça o íntimo de cada toqueiro e filhas da pobreza a quererem também consumí-lo? Será que eles e elas não se percebem sentido necessidades (consumismo) de adquirir um CD, uma camiseta ou um adesivo daquilo que cultuam?

– Quem vende estes produtos do outro lado do balcão vê irmãos de fraternidade ou clientes? Ou entende que o consumismo funciona tranquilamente diante do voto de pobreza? Há conflitos neste sentido?

– Então, jogando um pouquinho mais de pimenta, pergunto: será somente uma tendência moderna de comunicação e disseminação dos valores em que eles acreditam?As músicas dos toqueiros são “fabricadas” e produzidas como forma de agradar e estabelecer mais adoração e mais apego aos votos realizados pelos simpatizantes? Qual é a proposta de fato? Existe um pensamento de adoração ou na verdade é uma maneira mercantilista de atingir maiores seguidores? Será que os cantores de fato não ganham um “cachezinho” por seus show’s e músicas gravadas? Levanto estes questionamentos.

Trabalhos sociais X Efeito paliativo

– É inegável o valor dos filhos e filhas da Toca de Assis como agentes de transformação social na medida em que auxiliam centenas de miseráveis, moradores de rua, doentes e pessoas abandonadas. Considerando que a “Toca de Assis” é um instituto religioso e por tratar-se de um grupo de cunho assistencialista que já tem um trabalho notável em franco desenvolvimento nas ruas dos principais centros urbanos de nosso país, não seria interessante expandi-lo e deixar de ser apenas um paliativo à vida dos miseráveis?

– Mais pimenta: por que somente dar o peixe ao morador de rua quando se pode dar a vara para pescar ?

– Será que este trabalho de pastoral e acolhimento não vicia de alguma forma os assistidos a permanecerem em suas zonas de conforto?

– Por que não trabalhar e divulgar ainda mais este grandioso trabalho? Por que não convidar a iniciativa privada e pública para serem parceiros nos trabalhos? – Seria interessante trabalharem junto a programas governamentais de fomento à assistência social?

– Temos conhecimento de que em algumas cidades como Campinas, existe uma parceria da Prefeitura com as Casas Fraternas locais para tratar de doentes e pessoas abandonadas. Por que não seguir este exemplo na assistência aos irmãos de rua? Existe possibilidade de maior aproximação do poder público com o trabalho dos toqueiros? E o inverso pode acontecer?

Deixo levantadas estas questões, esperando de sorte, como estudante de jornalismo, fomentar discussões produtivas e construtivas.

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Carisma Franciscano e os Votos dos Consagrados

Entenda o carisma e os votos Franciscanos, o que representa cada voto para os membros da Toca, como é a preparação e aceitação dos votos consagrados

Por João Paulo Costa Jr.

Não há como falar dos votos de pobreza, castidade e obediência sem antes entender o carisma Franciscano que é a base de sustentação destes mesmos votos. A palavra carisma, vem do grego “cháris” que significa graça e dom divino.

Alicerçados pelo Evangelho e lembrando o que diz Mateus: “Onde dois ou mais estiverem reunidos em meu nome eu estarei no meio deles”(Mt 18,20) e “todo aquele que tenha deixado casa ou irmãos ou irmãs ou pai ou mãe ou filhos, ou terras, por causa do meu nome, receberá muito mais e herdará a vida eterna” (Mt 19.29), os Toqueiros se reúnem em Casas Fraternas e procuram se amar em plenitude como se fosse uma família de Deus. Todos os membros passam por um processo de consagração e após serem consagrados nos votos de pobreza, castidade e obediência, deixam seus nomes civis para trás, passando a assinar um nome religioso e a personificar neles próprios, estes ideais.

Para viverem suas vidas de cristãos pautadas na fé, na comunhão e no auxílio aos mais necessitados, é necessário entender o “Carisma Franciscano” que os chama a se consagrarem nos votos de pobreza, castidade e obediência. “Os votos que fazemos nos fortalecem na vivência de uma vida religiosa, isenta das coisas do mundo. “O que sinto por Deus e pelos irmãozinhos que ajudamos, é muito maior que à própria renúncia dos bens materiais e da carne.” afirma irmão Petrus, membro da Fraternidade Aliança São José, em Belo Horizonte.

Os três votos têm sua fonte na Sagrada Escritura e constituem a renúncia a valores efêmeros que devem ser sublimados de suas vidas. Assim, na radicalidade do Evangelho, indo aparentemente contra as concepções modernas de sociedade, onde detectamos grande egocentrismo, banalização do sexo, individualismo e apego aos bens materiais, os toqueiros e filhas da pobreza professam seus votos afirmando compromissos de vida com a prática da pobreza, castidade e obediência. “Nosso objetivo é viver uma vida religiosa de auxílio aos mais necessitados e diariamente nos ensinamentos de Cristo e pautados pelos votos, nos encontrarmos com Deus”, explica o irmão João Batista, membro da Toca em Belo Horizonte.

Os Votos

O voto de pobreza pode ser entendido como um voto em que o irmão consagrado se contenta humildemente com o necessário e esquece-se do supérfluo. Reparte o que tem e não cobiça aquilo que os outros possuem. É uma maneira sóbria de viver com simplicidade, sem ostentação e consiste em solidariedade com aqueles que têm ainda menos. É viver destituído de posses e praticar o desapego. “Viver na pobreza, é também colocar o tempo, os dons e nossos talentos a serviço da comunidade e da Fraternidade”  conta,  irmã Samira do Sítio Tão Sublime Sacramento, em Betim.

O voto de castidade é uma opção por uma vida sem casar, sem sexo e sem masturbação. “Sem o casamento e praticando o desapego da carne trabalha-se o espírito. O voto de castidade para mim não é problema, entrei para a Toca com 16 anos, não tive muita experiência. Sinto que ocupo muito melhor a mente, espírito e corpo com as coisas de Deus”  relata a noviça Tamires.
Deixando-se seduzir pelo Senhor, os membros da Toca renunciam ao matrimônio para se dedicarem a um único amor: o amor aos mais necessitados.

O voto de obediência, é o exercício de aceitar uma hierarquia estabelecida pela Fraternidade. É uma obediência ao plano de Deus, aos ritos e as consagrações. “A obediência consiste numa profunda atitude de escuta do que Deus fala no dia-a-dia” – explica o irmão Jeremias, membro da Toca de Assis, no bairro Enseada das Garças em Belo Horizonte.

ilustração por Joana Féres Ferreira, Toca de Assis

ilustração por Joana Féres Ferreira, Toca de Assis

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